Zélia Duncan estréia "Sortimento" em São Paulo

No disco Acesso, lançado em 1998, Zélia Duncan procurou centrar-se na sua composição e na habilidade como violonista. Já em Sortimento, novo trabalho que ganha estréia nacional com shows na cidade, de amanhã a domingo, no Direct TV Music Hall, ela demonstra uma intenção mais ampla, de olho no entorno, na vida e na cena musical popular.Antes de fazer o disco, Zélia passou por um estresse. Estava mudando de gravadora (hoje é a Universal Music) e procurava um produtor para o novo CD - deparou-se com um egocêntrico, sobre o qual não fala, e mudou de rumo. Olhou em volta, aceitou sugestões de amigos e acertou com um moço competente, Beto Villares, mas que ainda não tem grife. Esse foi um dos passos que ela deu para olhar em volta de si, mas não é somente isso que justifica o conceito mais abrangente de Sortimento, que também teve algumas canções produzidas pelo seu parceiro antigo, Christiaan Oyens."Com Beto, eu me aproximei fisicamente de São Paulo. Decidimos produzir num estúdio daqui, um pouco fora do eixo musical", conta ela. "Assim, tive uma facilidade de me encontrar naturalmente com pessoas que moram aqui e pelas quais tenho admiração, como o Trio Mocotó e o Mestre Ambrósio."Beto apresentou o Trio Mocotó a Zélia. Ela, desde o princípio desse trabalho, tinha decidido que cantaria o belo samba Na Hora da Sede, de Luiz Américo e Braguinha. "Essa música é do repertório de Clementina de Jesus, por quem sou apaixonada. Num dia, Beto me conta que encontrou João Parahyba (percussionista e compositor do grupo) e o convidou para vir ao estúdio. Eu adorei a iniciativa e deu nesse encontro, realmente divertido, tipo uma roda de samba", relata.A aproximação com a terra da garoa está evidente na escolha do repertório, que tem leituras sobre a vida de pontos de vistas distintos. "Quando comecei a pensar no disco, eu já tinha em mente que gostaria de interpretar outros compositores. O primeiro foi Arnaldo Antunes, que acredito ser um dos mais representativos compositores da geração atual, ao lado de Cazuza e Renato Russo", afirma. Numa dessas coincidências da vida, num encontro casual, Zélia mostrou a letra para Pepeu Gomes. Ele cantarolou a melodia e ela curtiu. "Ele deu aquele tom dançante", diz. O nome da canção é Alma. Há músicas de outros paulistas, como Sortimento, de Nando Reis, Por Que Que Eu não Pensei Nisso Antes, do seu ídolo Itamar Assumpção, e uma parceria dela com Rita Lee, chamada Desconforto.Embora haja uma identificação com a criação paulista, Sortimento é fiel ao estilo de Zélia, atenta a sua poética, nesse caso mais existencialista e preocupada com os dramas urbanos, e a instrumentação, mais eletrônica. Esse cuidado com a música será conferido nos shows de amanhã a domingo. A banda é formada por Ézio Filho, Fernando Caneca, Simone Soul, Cristiano Galvão e Dudu Trentim. A direção do espetáculo é do ator Marcelo Saback.

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