Zeca Pagodinho: ?Sou um improvisador?

Neste fim de semana, o sambista Zeca Pagodinho volta a São Paulo para apresentar mais uma vez o show do disco Água da Minha Sede, que já visitou todo o País. Revelado por Beth Carvalho, em 1983, no tempo em que era um assíduo freqüentador do bloco carioca Cacique de Ramos (em que apareceram Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Sombrinha, Almir Guineto e muitos outros sambistas respeitados), Zeca começou a colecionar sucessos como intérprete a partir de meados dos anos 80. Mas foi só na década seguinte que Zeca Pagodinho se estabeleceu definitivamente no rol dos grandes autores e intérpretes de samba de todos os tempos, cativando o meio artístico, o público e a crítica especializada com seu suingue e sua ironia. Zeca mostrou sabedoria ao infundir em seus sambas uma boa dose de crônica social, à maneira de Noel Rosa e Geraldo Pereira. As vendagens dos últimos discos refletem o carinho com que o Brasil adotou o sambista: Zeca Pagodinho Ao Vivo, de 1999, vendeu 900 mil discos e Água da Minha Sede, seu último álbum, já passou a marca de 600 mil discos vendidos. O carro-chefe do atual espetáculo é a excelente interpretação do samba-maxixe Jura, clássico do compositor Sinhô, gravado por Mário Reis no fim da década de 20. Jura popularizou-se rapidamente por ter sido o tema de abertura da novela O Cravo e a Rosa, da Rede Globo. Em entrevista por celular ao JT, falando do Bar do Geraldo ? quase uma extensão de sua casa, no subúrbio do Xerém, baixada fluminense ?, Zeca comentou sua nova temporada na cidade. Jornal da Tarde ? Como é chegar pela terceira vez com um show em São Paulo?Zeca Pagodinho ? É uma alegria. É bom para mim, para os compositores, para o samba... Cantar em São Paulo é bom porque os paulistas gostam muito de samba ? e também fazem samba muito bem. Veja, por exemplo, as composições do Luizinho SP. Eu acredito que São Paulo nunca foi ?túmulo do samba?, nem nada parecido.Quais as diferenças das apresentações deste fim de semana em relação às duas anteriores? Na verdade, tudo é surpresa. Eu sou um improvisador e, se de repente pinta uma idéia diferente, vou atrás dela. Não costumo ficar pensando em ?o que o público vai achar??. As coisas saem como Deus quer. O cantor Miltinho declarou que, no momento, você é ?o grande nome do samba?, e vários outros sambistas de qualidade também pensam assim. Como você encara essa tarefa de representar o samba?Olha, tem de levar com responsabilidade, pois é o nome do samba que está em jogo. Eu até já pensei em fazer um trabalho de resgate da memória e das raízes do samba, mas acho que ainda não está na hora. Ainda tem muita coisa para acontecer antes disso. O que mudou em sua vida em relação ao tempo em que era anotador de jogo do bicho? A vida continua a mesma. As coisas de que eu gosto continuam sendo botequim, papo furado... (risos).O que está sendo tratado agora, aí no Bar do Geraldo? Eu estou aqui com o produtor dos meus discos, Rildo Hora, e com uma série de outras pessoas ? entre elas os compositores Dunga, Zé Roberto e Bidubi ? discutindo o projeto do próximo CD.Todo mundo que quer conversar com você convida para ir pro boteco? Também não é assim... Eu é que levo! (risos). E qual o melhor boteco aqui de São Paulo? Ah, todos os bares são iguais: um melhor do que o outro! (mais risos.André Domingues Zeca Pagodinho ? Água da Minha Sede. Olympia. Hoje, às 22h30, e amanhã, às 20 h. Ingressos de R$ 30 a R$ 70. Tel. 3675-3999.

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