Zeca Pagodinho mata a saudade de SP

Zeca Pagodinho vai matar a saudade que disse estar sentindo de São Paulo. Ele estréia o show do novo CD Água da Minha Sede, recém-lançado pela gravadora Universal Music. As apresentações realizam-se no Olympia, de amanhã a domingo."Eu fiquei um tempo doente, afastei-me do palco e estou com vontade de fazer muitos shows", justifica ele. "Eu agora não posso mais beber a minha cerveja nos shows e parece até ironia o nome do meu disco. Só posso beber água." Zeca conta que ainda não sabe se a recomendação médica vai levar a vida inteira. "Espero que o doutor me diga que no Natal eu já posso tomar a minha cerveja; se não puder, vou ficar chateado, mas é a vida. Tenho de ir levando assim", diz. "Estou bem e me sentindo melhor, porque eu estava indo para um lado não muito bom e agora estou voltando a compor." Dudu Nobre, afilhado musical e parceiro, estava a seu lado. Os dois tinham acabado de fazer um samba, ainda sem nome.Água da Minha Sede é descontração pura, como todo trabalho de Zeca. "A brincadeira que acontece no estúdio vai para o show, porque quando faço um disco eu gosto de ver muitas pessoas por perto e cantando", afirma. "Por isso, as músicas têm coro e todo mundo entra na história; até a estilista que faz a roupa da rapaziada da banda cantou no coro e não foi de propósito." Outro termômetro de Zeca é um terreno em frente da sua casa, em Xerém (RJ), onde arma sempre uma roda de pagode. "Se a turma se diverte por lá, se há animação, então o samba é bom."É lógico que o sucesso de Zeca não se deve somente à animação. Há muitas outras qualidades musicais no seu trabalho. Uma delas é a presença de Rildo Hora, o mais requisitado produtor de samba do momento. Segundo Zeca, o papa do samba. Na sua opinião, Rildo Hora deu uma nova roupagem ao gênero, mais bonita. "Ele ensinou um novo passo para o samba, pois o pessoal pensa que samba é só a alegria, a bagunça. Desconhecem que é música de muita qualidade, com boa melodia, harmonia e ritmo", ressalta. "Rildo incrementou o samba, colocou clarineta e até violino. E o mais importante: sem afetar a batucada." Para Zeca a música pode ter tudo, mas a batucada é fundamental e, nesse caso, Rildo não se intromete. "As coisas da rua, das favelas, dos botequins, quem sabe sou eu e ele me respeita", conta.Merece respeito também a direção dos espetáculos, que é de Túlio Feliciano, e a presença da banda Moleke, que o acompanha há anos.Contribuições - Além de recordes de venda, sucesso e a produção de boa música, sempre promovendo a valorização do samba Zeca Pagodinho deu neste fim de milênio um presente à história da música brasileira: a volta de Almir Guinéto. Na hora de fechar seu contrato com a gravadora Universal, Zeca fez uma exigência: só assinaria se gravassem Almir Guinéto. O pedido foi ouvido como ordem. "Eu acho que é um presente para a gravadora ter o Almir. Eu não fiz favor a ele, fiz à gravadora. Ele é um rei, gênio", afirma. "Agora, que Dudu (Nobre) já foi embora, trilhou seu sucesso, quero abrir as portas para a Dorina, uma intérprete de samba que cresceu comigo e canta muito bem. Ela merece."Zeca também está dando a sua retribuição à sociedade por meio da escola de música montada em Xerém. "Lá não tem bagunça, o bagulho é sério e as crianças estão se formando para serem músicos", informa. "Além de um sonho realizado, fico feliz porque meus filhos já têm com quem conversar sobre música, não só sobre futebol. Vou poder ouvir a bandinha tocando da minha janela." Por enquanto, ele mantém os custos praticamente sozinho. São 60 crianças aprendendo música.Zeca Pagodinho - Sexta e sábado, às 22h30; domingo, às 20 horas. De R$ 30,00 a R$ 70,00. Olympia. Rua Clélia, 1.517, tel. 3675-3999. Patrocínio: Chevrolet e Ajato.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2000 | 16h48

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