Zeca Baleiro volta mais lírico a SP

Zeca Baleiro está de volta a São Paulo. Depois de uma longa turnê pelo País - foram mais de 100 shows e 50 cidades visitadas -, o cantor e compositor maranhense retorna com o espetáculo Líricas, que será apresentado durante os cinco finais de semana de junho no TUCA. Festejado por amplos setores da crítica e bem recebido pelo público, Zeca vem correspondendo às expectativas daqueles que o apontaram como uma das boas revelações dos anos 90.Como será essa série de shows em São Paulo? Zeca Baleiro - O show mudou muito, está maduro. Eu sei que é arriscado fazer uma temporada de um mês inteiro, mas estou confiante porque venho apresentando o Líricas desde novembro do ano passado. Nesse tempo, já deu para desenvolver as potencialidades do show e para sentir o que as pessoas estão gostando mais - por exemplo, o meu projeto de músicas eróticas e algumas inovações, como a versão em violões para TV a Cabo, que fez sucesso na interpretação eletrônica do Otto. Conforme for, vou até mostrar uma música inédita, Um Filho e Um Cachorro, que fará parte do meu próximo disco, que estou começando a planejar.Você se sente adotado pela cidade? Acho que fui eu que adotei São Paulo. Aqui eu conheci muitos sotaques, novas propostas musicais, e me encontrei entre a imensa variedade de sons da cidade. Existe até um certo complô para eu me mudar pro Rio, sobretudo por parte da minha gravadora. Mas eu gosto muito daqui e não pretendo sair. Você sente a responsabilidade de ser um embaixador do Maranhão no resto do Brasil? Olha, já tentaram me colocar essa pecha, mas eu nunca assumi isso. Eu sou um cara anti-oficial, anárquico, não gosto dessa idéia de carregar bandeira. O que eu faço é ajudar a divulgar alguns elementos da cultura maranhense, misturados na minha música, e ajudar o pessoal de lá. Por exemplo, eu acabo de produzir o primeiro CD de um sambista maranhense de 81 anos, Antônio Vieira, que deve sair dentro de uns dois meses. Passado o impacto da revelação, como você está encarando a batalha para não perder o contato com o grande número de pessoas que se interessou por conhecer o seu trabalho nesses últimos anos? Quando você surge, atrai a atenção do público e todos lhe querem. O segundo momento é mais delicado: a fama repentina dificulta a sua percepção da realidade e você pode até perder a noção de tudo. Aparece convite para ir a programas de televisão, vernissages, inaugurações de lojas e o que mais você puder imaginar. Eu não me deslumbrei. Agora estou num momento de consolidação da minha carreira. O disco Líricas foi um corte com tudo que eu estava fazendo; não para renegar minha obra anterior, mas para mostrar outras faces da minha personalidade artística. Em Líricas eu pude mergulhar em mim mesmo e reavaliar todos os meus valores. Esse trabalho me trouxe bastante respeito do público e da minha gravadora. Não há mais aquela febre em torno do meu nome e, com tranqüilidade, as coisas caminham bem. A vendagem do disco já está perto de 100 mil cópias! A julgar pelo nome do disco e do show, você se considera um lírico? Eu acho que sim. Os artistas que mais me influenciaram eram líricos. Esse projeto Líricas foi fruto da vontade de investir em algo muito importante que está fora de moda. Mas vale lembrar que o lirismo não entra em conflito com o outro lado das minhas composições, o que valoriza mais o ritmo das músicas e que foi percebido primeiro pelo público. Eu só dei uma aliviada nesse outro lado, mas no próximo disco devo retomar tudo de novo. Líricas. TUCA, Rua Monte Alegre, 1024. Sexta e sábado às 21 h e domingo às 20 h.Preço: R$ 15,00 (estudantes) e R$ 30,00. Os shows serão abertos por cantores pouco conhecidos pelo grande público: a mineira Ceumar (dias 1, 2 e 3), o maranhense Nosly (dias 8, 9 e 10) e os paulistas Miriam Maria (dias 15, 16 e 17), Renato Brás (dias 22, 23 e 24) e Vange Milliet (dias 29, 30 e 1 de julho).

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