Zeca Baleiro homenageia Hilda Hilst no palco

Um dos mais bonitos discos de música brasileira lançados neste ano vai ter uma única apresentação no palco, hoje no Sesc Pompéia. Trata-se de Ode Descontínua para Flauta e Oboé, em que o compositor maranhense Zeca Baleiro musicou dez poemas da escritora paulista Hilda Hilst (1930-2004). No show, Zeca, que vai cantar e tocar violão, terá a companhia de Zélia Duncan, Ná Ozzetti e Olívia Byington. Além delas, a apresentaçõa reúne dois músicos que também participaram do CD: Swami Jr. (violão de 7 cordas) e Carlos Ernest (flauta, oboé e corne inglês). Zeca vai mostrar ainda a primeira parceria dele com Hilda, que não chegou a ser gravada. Chama-se Nave e tem apenas estes versos: "Nave, ave moinho/ E tudo mais serei/ Pra que seja leve/ Eu passo meu caminho." Admirador de longa data de Hilda, Zeca enviou a ela seu primeiro CD, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997) e para sua surpresa, recebeu um telefonema da escritora convidando-o para parceiro. "Ela me ditou os versos por telefone e depois fiz a música", lembra Zeca. Ele até pensou em incluí-la em seu álbum mais recente Baladas do Asfalto & Outros Blues (2005), mas não deu liga com as demais. Ao debruçar-se sobre a saga autobiográfica de Ode Descontínua, o compositor procurou manter na sonoridade o traço medieval do texto. Convocou então dez das mais belas vozes femininas a entregar-se com delicadeza à força poética de Hilda. Zeca Baleiro e convidados. Teatro do Sesc Pompéia (344 lug.). Rua Clélia, 93, tel. 3871- 7700. Hoje, 21h. R$ 8 a R$ 20.

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