Zeca Baleiro canta música dos outros

A choperia do Sesc Pompéia oferece ótima opção musical para quem não vai viajar neste fim de ano: o show inédito Crooner de Choperia, com o cantor e compositor Zeca Baleiro. Trata-se de um projeto especial criado para suprir a costumeira escassez de bons eventos culturais na semana entre o Natal e o réveillon. Em vez de fazer uma das suas apresentações habituais, com seu próprio repertório, Zeca cantará músicas de outros autores. "São coisas que eu gosto de cantar sozinho, com o violão", diz ele, que também avisa que pode abrir exceção para algumas canções de "lado B" de seus discos anteriores, bem como para uma ou outra inédita criada para o próximo álbum. O maranhense Zeca Baleiro foi uma das boas revelações dos anos 90, quando obteve sucesso com composições como Flor da Pele e Samba do Aproach. De lá para cá, seu prestígio não parou de crescer, como atesta a impressionante quantidade de shows que fez em 2001 por todo o Brasil e pelo exterior: cerca de 115 apresentações. Quem for ao espetáculo ouvirá canções de João do Vale a Tom Waits, passando por Ednardo e Carlos da Fé e por gêneros como samba, soul e música de vanguarda brasileira. Dois números prometidos pelo artista - que fez questão de não revelar todo o programa da noite para surpreender ainda mais o público - são O Amor É Velho e Menina (de Tom Zé) e Me Alucina (de Candeia e Wilson Moreira). Confira trechos da entrevista que Zeca Baleiro deu à Agência Estado. Agência Estado - Interpretar canções que não fazem parte de discos de carreira ou de projetos temáticos, cantar simplesmente pelo prazer, é uma vontade um pouco reprimida de qualquer artista? Zeca Baleiro - No meu caso não é tão reprimida, pois costumo incluir canções assim nos meus shows para ter mais novidades e não correr o risco de o trabalho ficar mecânico. Eu acho muito divertido, interessante, benigno, fazer essas releituras. E isso é meio um descanso, também, das minhas músicas, com que eu convivo há muito tempo. Esse show é o fechamento ´com chave de ouro´ de um bom ano para você? Foi um ano superprodutivo, em que eu trabalhei muito e fiz mais shows que a Ivete Sangalo! Eu não estou em todos os canais de TV e, por isso, a divulgação do meu trabalho é quase uma guerrilha: corpo-a-corpo, mesmo. Viajei de Norte a Sul do País e para a Europa, e depois desse show só vou cantar no réveillon do Rio, lá no Leme. Só vou tirar umas férias em janeiro, antes de começar a pensar no novo disco. E como foi o ano de 2001 para a MPB? Acho que a MPB vai bem, obrigado. Foi um ano de afirmação de coisas importantes, como a música eletrônica e, principalmente, o samba, que subiu com o declínio do pagode. O rock também reacendeu sua chama. A novidade que mais me impressionou foi o disco do Totonho e Os Cabra, superinteressante e original. Acho que só o que está faltando é mais empenho da indústria em investir na boa música e dos artistas em cair na estrada, pois tem muita gente boa que não faz isso, talvez por ambição a ser cult, não sei. Serviço - Zeca Baleiro no show Crooner de Choperia. Choperia do Sesc Pompéia (R. Clélia, 93, tel.: 3871-7700). Sábado e domingo, às 21h. Ingressos: de R$ 6 a R$ 12.

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