Zabé da Loca divide o palco com Hermeto Pascoal

A programação do Fórum Cultural Mundial reserva hoje um evento imperdível. O bruxo Hermeto Pascoal vai se apresentar com a pifeira pernambucana Zabé da Loca, dentro da programação do Fórum Cultural Mundial. Será no Sesc Pompéia, às 21 horas. Izabel Marques da Silva, a Zabé da Loca, é chamada assim não porque seja doidona, mas porque viveu 25 anos em uma gruta nas imediações de Monteiro, na Paraíba. Ela foi morar na loca porque sua casa ia cair. Loca, segundo o Aurélio (sim, está no Aurélio), é "esconderijo do peixe sob uma laje debaixo da água; gruta pequena, toca, furna". Mãe de três filhos (João, Edith e João Marcolino, que morreu recentemente, aos 49 anos) e avó de 8 netos, Zabé trabalhou no roçado boa parte de sua vida. Vive hoje no assentamento Santa Catarina, a 22 quilômetros de Monteiro, de onde sai com alguma freqüência ultimamente para fazer shows com sua banda, com a qual ela toca pife, os pratos da caixa, a zabumba e realengo e uma flauta feita de cano de PVC. Diz que aprendeu tudo em Buíque, sua cidade natal, quando tinha apenas 7 anos. O irmão mais velho ensinou. Hoje, ela se gaba de tocar melhor do que ele tocava. Tornada estrela do sertão do Cariri e do Pajeú, ela já tocou com dois ministros na sua platéia. Foi no lançamento do seu primeiro (e único) disco, Contos do Semi-Árido, na Comunidade de Leitão da Carapuça (município de Afogados de Ingazeira, em Pernambuco), em dezembro. Ali, ela se juntou a outros time de raros, o Grupo de Coco Negros e Negras do Leitão da Carapuça e a Banda de Pífanos do Sítio do Leitão da Carapuça. O ministro da Cultura Gilberto Gil participou do show e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, aplaudiu. "Menina, se tu qué casá/ Diga a teu pai que amanhã vô te pedi/ Se ele não der/Pega o ferro e engoma a roupa/ Vou pra rua alugar sopa/ Pra de noite nóis fugi." Zabé canta Menina se tu qué casá ao telefone, a pedido do repórter do Estado. É uma de suas músicas, gravadas em Contos do Semi-Árido, lançado de forma independente pelo programa Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, com apoio do Projeto d. Hélder Câmara, de Pernambuco. E, pelo jeito, Zabé gosta de uma prosa, mesmo que pareça sem sentido. Qual foi a coisa mais bonita que você viu na vida, Zabé? "A coisa mais bonita? Eu mesma. Eu vi eu", ela responde, sem pestanejar. Quem ainda não viu Zabé, não pode perder essa chance.Serviço - Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700. Hoje, às 21 horas. R$ 14,00; R$ 7,00 e R$ 5,00. Outras informações no site do Fórum Cultural Mundial.

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