Yoram David rege Osesp na Sala São Paulo

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo faz, nesta semana, dois concertos dedicados a composições do século 20 que, de certa forma, recriam a relação de seus autores com os Estados Unidos. A regência estará a cargo do experiente maestro israelense Yoram David.O grupo abre o concerto com Valsas Nobres e Sentimentais, do francês Maurice Ravel. "Se sua La Valse é considerada a representação da morte da valsa, nesta peça Ravel já dá indicações da decadência do gênero", afirma David.Na seqüência, de Darius Milhaud, a orquestra interpreta o Concertino de Inverno Para Trombone e Orquestra. "É uma peça bastante virtuosística, encomendada por um instrumentista americano ao compositor", lembra o maestro, que terá a seu lado o brasileiro Wagner Polistchuk, trombone solo da Osesp, como solista.A segunda parte do concerto será aberta com A Questão Sem Resposta, de Charles Ives, na opinião do maestro, "uma peça extremamente original, que está à frente de seu tempo, uma vez que o compositor utiliza recursos bastante modernos para o início do século". Como exemplo, ele cita a presença, em certos momentos, de dois tempos e tonalidades distintos, simultaneamente. "Em 1906, ele estava fazendo algo que só décadas mais tarde os compositores começariam a praticar."Encerra o programa, Jogo de Cartas, de Igor Stravinski. Composta em Nova York, a pedido do Balé da Cidade, a peça é, segundo o maestro, bastante interessante e atraente. "Seus três movimentos têm início com um som que se aproxima do de um baralho sendo embaralhado e a intenção é reproduzir na música um jogo de cartas." Outro ponto ressaltado por David é a tonalidade da música. "Desta peça emerge um Stravinski ainda tonal."Conexão - O que dá unidade ao programa, segundo David, "é algo de americano presente nas peças, que conduziu o trabalho dos compositores". O maestro lembra que, nas Valsas, Ravel mostra seu flerte com elementos harmônicos do jazz, um dos pontos importantes de seu trabalho. Também Milhaud reproduz uma atmosfera que remonta aos Estados Unidos. "Milhaud escreveu sua peça durante o período em que lecionou no Mills College, e sua obra foi fortemente influenciada pela técnica peculiar aos instrumentistas americanos". Por fim, Stravinsky escreveu seu balé comissionado pelo Balé da Cidade de Nova York, no período em que viveu na cidade.Para David, o programa deve agradar ao público paulistano. Ele não teme qualquer tipo de aversão relacionada à música contemporânea. "Antes de mais nada, vale lembrar que estas peças quase não são mais contemporâneas, uma vez que foram escritas no século que se encerra", diz. Além disso, segundo o maestro, elas foram escritas em um período no qual, os compositores, apesar de romperem com as fórmulas tradicionais, ainda as têm como base para seu trabalho. "Autores como Schoenberg, Britten, Berg e Webern, foram responsáveis por uma mudança radical na história da música, porém, em seus trabalhos há a presença de antigas formas de composição", aponta o maestro, para quem a Segunda Guerra Mundial é um marco importante. "A partir do fim da década de 40 é que as coisas começam a mudar e a linguagem utilizada torna-se nova."Sobre a ausência de compositores novos nos programas de orquestras que se apresentam por todo o mundo, David é bem direto. "Música e negócios, hoje, se misturam com muita facilidade e, quando não se tem subsídio do Estado, é preciso garantir a presença do público o que, muitas vezes, exige que as orquestras limitem-se ao repertório tradicional."Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Quinta, às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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