Lucas Abrãão/Divulgação
Lucas Abrãão/Divulgação

Yeah Yeah Yeahs e o peso da mudança

Banda retorna ao Brasil após sete anos com um álbum que divide opiniões, ‘Mosquito’, e guitarrista fala ao ‘Estado’

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2013 | 18h59

A última vez que o trio Yeah Yeah Yeahs veio ao Brasil foi em pleno hype da banda, em 2006, quando só tinham um disco, Fever to Tell (eleito por Rolling Stone, Pitchfork Media e NME como um dos melhores daquele ano) e tocaram numa eufórica Marina da Glória (na mesma noite que Patti Smith). De lá para cá, experimentaram o auge, com um disco elogiadíssimo, It’s Blitz!, mas também quase se separaram.

Após um hiato, voltam hoje ao Brasil abrindo para o Red Hot Chili Peppers e a bordo de um novo álbum não tão unânime, Mosquito. “Não sei se é ‘controverso’. O que posso dizer é que é um trabalho diferente de todos os outros. É a mesma banda, é a mesma verdade, mas uma banda em progresso, com os artistas mudando, a música mudando. É 100% real. Se você observar nossa carreira, vai ver que nunca estagnamos, estivemos sempre em movimento”, disse ao Estado o guitarrista Nick Zinner.

Zinner e a carismática cantora Karen O. formam a espinha dorsal do Yeah Yeah Yeahs, que se completa com Brian Chase (bateria). Nick é um guitarrista admirado por seus pares, como Lee Ranaldo (do Sonic Youth), mas não é um tecnocrata do instrumento. “Toco a mesma guitarra desde os 14 ou 15 anos, uma Strato velha. Não é uma grande guitarra”, conta.

O guitarrista lembra que uma das grandes experiências que teve recentemente foi na gravação do disco beneficente African Express. “Aquilo abriu meus olhos e meu coração. Conheci Amadou e Mariam, gravei com eles. São músicos inacreditáveis, cuja arte vem do coração. Tive grande sorte em me envolver naquele projeto. Não foi uma colaboração, foi um encontro cultural. Tornou-se algo inspirador e educacional ao mesmo tempo”, contou.

Ele também participou de um outro projeto beneficente, um disco para ajudar refugiados sírios. O álbum foi uma iniciativa de Damon Albarn (Blur) e teve a participação também de Flea (baixista do Red Hot, que está no mesmo festival hoje em São Paulo) e Alex Kapranos (líder do Franz Ferdinand).

“Não sou esse cara politizado, não vivo falando de política internacional. Mas, como ser humano, não gosto de ver gente ferida, machucada. Acompanho de longe as movimentações pelo mundo, e espero que as coisas mudem na Síria.”

O guitarrista, que estudou fotografia no Bard College (e publicou trabalhos em revistas como Vice, Black Book e Rolling Stone) também acaba de lançar um novo livro de fotografias, I Hope You Are All Happy Now (é o seu segundo livro, o primeiro foi Please Take me Off the Guest List). “Tenho algumas predileções, como (o suíço) Robert Frank. Claro que Sebastião Salgado também é influência, é um dos maiores do mundo”, afirma o músico, para quem a atividade de fotografar destina-se a documentar suas experiências como rock star, humanizar um pouco essa rotina – com cenas corriqueiras de quartos de hotéis, legiões de fãs, cidades vistas das janelas e festas.

A cara-metade de Nick, Karen O., cantora, compositora, letrista e vocalista do grupo, trabalhou com cineastas como Spike Jonze e David Lynch e compôs a trilha do filme Onde Vivem os Monstros (com Carter Burwell). Ela e Nick compuseram All is Love, que foi indicada ao Grammy e ao Globo de Ouro como Melhor Canção Original para Longa-metragem. Recentemente, Karen fez música para o longa de David Fincher, Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

Red Hot celebra 30 anos de rock com chuva de hits

Comemorando 30 anos de carreira este ano, o grupo Red Hot Chili Peppers volta à Arena Anhembi com Anthony Kiedis (vocais), Flea (baixo), Chad Smith (bateria) e Josh Klinghoffer (guitarra), além do percussionista brasileiro Mauro Refosco, que já estava na última turnê. O show está previsto para começar às 22h e o set list prevê uma chuva de hits, como Californication, Can’t Stop, Other Side, By the Way, Give it Away, além de uma cover de Stevie Wonder, Higher Ground. Uma das mais bem sucedidas bandas contemporâneas, o Red Hot vendeu mais de 60 milhões de discos em sua trajetória, ganhou 6 prêmios Grammy. O álbum mais recente é I’m With You, de 2011, produzido pelo conhecido Rick Rubin.

YEAH YEAH YEAHS E RED HOT CHILLI PEPPERS

Arena Anhembi. Av. Olavo Fontoura 1.209. Hoje, 20 h (Red Hot às 22 h). Ingressos esgotados

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