Yamandú Costa faz show e lança CD

O violonista Yamandú Costa faz nesta sexta e no sábado, no Teatro do Sesc Pompéia, shows de lançamento de seu primeiro disco-solo, Yamandú (gravadora Eldorado). O músico foi o vencedor do 4.° Prêmio Visa de MPB - Edição Instrumental, realizado no primeiro semestre. O disco é parte de seu prêmio. Estará à venda amanhã e sábado, no Sesc, e depois pelo site da produtora do Prêmio Visa, a "Rádio Eldorado" (www.radioeldorado.com.br).Produzido pelo também violonista Maurício Carrilho, Yamandú, o disco, é uma obra-prima. Pouquíssimos trabalhos instrumentais, nos últimos anos, causam tão intenso e surpreendente prazer ao ouvinte. É como a impressão que se tinha a cada disco novo da melhor fase de Baden Powell, ou de Raphael Rabello.A comparação com os dois mestres não é tanto estilística embora boa parte do repertório de Yamandú seja de choros - Baden e, principalmente, Raphael tocavam sempre choros. Diz respeito, a comparação, à pegada firme, ao toque másculo, à garra na execução, ao brilho técnico, ao apuro virtuosístico e, até, a certa grandiloqüência que o tempo pôde atenuar em Baden e a curta vida de Raphael não permitiu depurar por inteiro.No disco, repertório de 13 músicas, 7 assinadas pelo violonista, ele conta com uma série de convidados ilustres, como a cavaquinhista Luciana Rabello, o clarinetista Nailor Proveta, o violoncelista Hugo Pilger, o flautista Toninho Carrasqueira, o trompetista Silvério Pontes, os percussionistas Oscar Bolão e Beto Cazes, o trombonista Zé da Velha, para citar alguns.Não foi possível reunir essa turma para os shows de amanhã e sábado. Mas terá alguns convidados: no espetáculo de amanhã, Oswaldinho do Acordeón; no de sábado, o clarinetista Nailor Proveta, o contrabaixista Arismar do Espírito Santo e o violonista Maurício Carrilho.Nascido em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, filho de músicos, Yamandú Costa começou a freqüentar os palcos aos 4 anos cantando; aos 7, pegou a sério o violão; aos 9, fazia dupla com o pai. "Sempre fui um exibido de marca maior", confessa Yamandú, que adora o palco.Durante um tempo, com o pai, ele tocou guitarra. O repertório era basicamente de músicas da tradição gaúcha. Quanto tinha 15 anos, veio a paixão por Radamés. Yamandú largou a palheta e estudou dedilhado. Em seguida, conheceu a música de Baden e Raphael Rabello. "Antes, era tudo em cima da música folclórica brasileira, paraguaia, argentina. Em 1996, conheci o Baden. Fiz a abertura de um show dele, em Porto Alegre, e ele foi muito carinhoso comigo." Baden disse ao menino de 16 anos: "Prepare-se que daqui a pouco todo mundo vai procurar você. Sua carreira vai deslanchar" - dito e feito.Há cerca de quatro anos, Yamandú veio para São Paulo (hoje mora no Rio). Em pouco tempo, o meio musical o conhecia - com espanto. O jovem gênio. O menino precoce. E uma comparação incômoda: o novo Raphael Rabello."Isso é porque o Raphael também começou cedo. As pessoas não sabiam como se referir a mim e usavam a comparação. Mas não tem nada a ver: eu venho da guarânia, da polca, do chamamé, e cheguei ao choro já adolescente", diz. "O Raphael cresceu em roda de choro, teve o Meira - também professor do Baden - como mestre, tocou com o Radamés."Enfim, Yamandú sabe que sua música é diferente - nas origens, no enfoque, no resultado sonoro. Aos 21 anos, é um estilista, um músico de sotaque próprio - desde já um mestre que em pouco, estará fazendo escola. Afinal, há muito tempo vem sendo chamado de gênio (foi o mais aplaudido dos brasileiros participantes do Free Jazz deste ano. Não dá muita bola para isso). Tocar, para ele, é dar sentido à vida. E é preciso que ela faça muito sentido. Portanto...Serviço - Yamandú Costa. Sexta-feira e sábado, às 21 horas. R$ 5 00 (estudantes), R$ 7,50 e R$ 10,00. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-77l00.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.