Xerêm tem obra resgatada por sua neta

Durante quase 40 anos, entre as décadas de 30 e 70, ele cantou, dançou, gravou mais de 40 discos 78 rotações, desenhou, compôs, construiu instrumentos, participou de programas de rádio, atuou no teatro de revista, em filmes e em programas de TV. Mesmo falando assim, dá a sensação de que não se está fazendo justiça ao trabalho de Xerêm,personagem da cultura brasileira que pretende ser resgatado porum projeto que, em fase de produção, está atrás depatrocinadores.Cantorias do Xerêm foi idealizado pela cantora ecompositora Cris Aflalo, neta do artista cearense, morto hácerca de 30 anos. É uma tentativa de resgatar a memória do avô ereparar um erro lembrado pelo bibliófilo José Mindlin em umtexto que acompanha o projeto: "É impressionante que sua pessoae sua obra tenham caído em injusto esquecimento, quando quasetodos os artistas com quem atuou, sempre com sucesso - Aracy deAlmeida, Alvarenga e Ranchinho, Carmen Miranda, Pixinguinha,Lamartine Babo ou Dorival Caymmi, para citar alguns dentremuitos (...)".De fato, o nome de Xerêm não tem hoje o reconhecimentoque merece. No entanto, ele deixou um arquivo bastanteorganizado, livros, discos, revistas, montagens, desenhos, fitascassete. Todo este material ficou guardado em um baú, hoje sob atutela atenta de Cris Aflalo. "Há fitas, por exemplo, com maisde 203 ruídos, que ele gravava, sozinho, no meio do mato edepois utilizava em programas de rádio ou em suas músicas", dizCris que, desde o início de sua carreira, tem incluído cançõesde seu avô em seu repertório, e se apaixonado cada vez mais pelaobra do avô. "Sua obra tem um caráter atemporal, traz umfrescor, uma ligação com a natureza, uma ingenuidade, pureza,que brota de suas composições."Coisas do Nordeste - "Xerêm, se não ficou para ahistória, deixou uma história muito rica, que merece serresgatada", diz Cris. E ela não é a única a pensar assim. Seutalento na gaita, seu lado cômico, todas as facetas de seutalento, foram elogiadas na época por órgãos de imprensa como oJornal do Brasil, a Gazeta de Notícias, O Estado deFortaleza, ou por colegas, seja pela admiração que brota deinterpretações de suas obras - como a versão de Aracy de Almeidapara Mamãe Baiana - ou em declarações como a de Luis Gonzaga para quem Xerêm foi o "pioneiro absoluto de todas as coisas doNordeste".O projeto de Cris Aflalo - que já conta com o apoio doMuseu da Imagem e Som, na pessoa de Oswald Barroso, e daSecretaria de Cultura e Turismo, do Ceará - possui uma série dedesdobramentos. O primeiro é um disco duplo com 25 músicasremasterizadas, interpretadas pelo próprio Xerêm, e 13 cantadaspor Cris Aflalo.Há também planos para uma exposição interativa, compainéis-murais do material iconográfico (artes gráficas dopróprio Xerêm, partituras, recortes, fotos), oficinas dearte-educação, palestras sobre o histórico-artístico, aorquestração e o regionalismo de suas canções, além deapresentações de cantorias de desafios e repentes. Outro aspectodo projeto é um show de Cris Aflalo interpretando Xerêm noCentro Cultural Dragão do Mar. Todo o projeto está orçado em R$200 mil e os interessados em participar podem entrar em contatocom Cris Aflalo (0--11 3082-5392 ou crisaflalo@ig.com.br) ouElaine (0--85 248-4083 ou materialucida@terra.com.br).

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