Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Xê mescla batidas eletrônicas e acordes suaves em seu 1º disco

‘Caixa de Música’, álbum de estreia do cantor e compositor paulista, é produzido por Marcelo Yuka

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2016 | 03h00

O músico Alessandro Fontanari Casanova, o Xê, foi ao Rio de Janeiro com um sonho: queria gravar seu disco de estreia com Marcelo Yuka. Eles nunca haviam se visto. Aos 43 anos, tudo que o artista paulista, nascido em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, sabia era que Yuka, um dos fundadores da banda O Rappa, tinha a sensibilidade necessária para produzi-lo. Sendo assim, não pensou duas vezes.

No começo de 2010, juntou o pouco dinheiro que tinha e, ao lado do amigo, músico e empresário Luiz Fernando Brakat, viajou para a capital carioca para tentar encontrá-lo. “Não tinha ideia de onde ele estava. Tínhamos alguns amigos em comum, mas o encontro, por algum motivo, não podia ser concretizado. No dia em que finalmente nos encontraríamos, os traficantes derrubaram um helicóptero da Polícia Militar. A cidade ficou toda travada. Não dava para sair de casa. Eu ia embora poucas horas depois. Azar define isso”, conta Xê em entrevista ao Estado. Xê começou sua carreira profissional na década de 1990 com a banda Tribo Brasil. Ele tocava em bares e casas noturnas. Na sequência, em meados do ano 2000, formou o grupo Colomi. Desde 2010, Xê passou a fazer apresentações solo em Mogi e também na capital paulista.

Após algumas tentativas, Xê voltou ao Rio e conseguiu se encontrar com o Yuka. Acanhado, sacou o violão e mostrou algumas músicas. As canções Esperando o Amanhã e O Batuque o impressionaram, embora ele não tenha demonstrado muito entusiasmo. Durante a apresentação, Yuka chegou a cochilar. “Fiquei receoso. Ele deu algumas piscadas enquanto eu tocava. Pensei, na verdade, que ele estava odiando ouvir tudo aquilo”, lembra.

Depois de 30 minutos, Yuka olhou para os olhos de Xê e disse o quanto havia gostado das composições. “Muito bom, parabéns. Gostei bastante. Vamos gravar?”, questionou. “Foi um alívio para mim. Após anos na estrada, havia finalmente ali algum tipo de reconhecimento”, diz Xê, com lágrimas nos olhos.

O que era para ser um projeto de poucos meses, no entanto, se arrastou por 5 anos. Marcelo Yuka se envolveu de maneira intensa com o trabalho de Xê. Ele queria dar um ar mais intimista e volumoso às composições.

O resultado veio com Caixa de Música, disco de estreia do paulista. As músicas do primeiro trabalho do artista falam, no geral, sobre o amor. “O amor, para mim, é o grande transformador da sociedade. Não faço referências apenas a relacionamentos. Tal sentimento é muito mais amplo. Falo de um amor geral e das boas vibrações entre as pessoas”, afirma ele.

As composições de Xê são maduras. Em Ensina-Me a Viver, canção que abre o álbum, o músico mostra toda a delicadeza da sua voz. De forma sucinta, quase serena, ele dedilha os acordes com precisão. Apesar do ritmo leve e próximo da nova geração da MPB, as faixas trazem batidas eletrônicas, com dub de guitarras e sintetizadores. As ferramentas típicas do hip-hop dão aos arranjos um ar mais saudosista e melancólico.

Simplicidade. A música de Xê atinge diretamente o coração. A genuinidade das letras e das melodias conseguem alvejar até o ouvinte mais displicente. “Acho que tudo que fazemos com alma triplica de intensidade. Coloquei todo o meu amor nessas oito canções de Caixa de Música. Penso que isso fica evidente ao ouvir cada acorde que faço”, conclui.

 

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