Woodkid, o alquimista dos sons imagéticos

Músico francês, um dos mais requisitados diretores de vídeos pop do momento, faz show e palestra no Brasil

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2014 | 02h11

O produtor, diretor, designer e músico francês Yoann Lemoine, mais conhecido como Woodkid, é o dono de um dos espetáculos de música imagética mais badalados do momento. Na Olimpíada de Inverno de Sochi, por exemplo, um dos temas da abertura era uma composição de Woodkid.

Com um único álbum, The Golden Age, ele trabalha noções clássicas de exuberância e ambientações épicas com grande habilidade. Tanta habilidade que já dirigiu videoclipes de Lana del Rey (Born to Die), Drake (Take Care) e Katy Perry (Teenage Dream), entre outros. Trabalhou com Rihanna e cineastas como Luc Besson e Sofia Coppola. E acaba de compor música para a NYC Ballet Company.

Woodkid abre, amanhã, o ciclo de palestras do Music Video Festival ((m-v-f-), que esmiúça o mundo do videoclipe e vai até domingo, e no qual toca também - faz o show Golden Age, no sábado, no Audio Club SP. Ele dirige 12 músicos no palco, num espetáculo de luzes e projeções. Em entrevista ao Estado, Woodkid se revelou fã de trilhas de Angelo Badalamenti e revelou admiração por Madonna.

Seu nome artístico, Woodkid. De onde veio?

Cresci no interior, num lugar de muita natureza, muitos bosques. Daí veio o apelido, da minha infância.

Será sua primeira vez no Brasil?

Não, já estive aí em 2008, com a banda Yell. Fizemos turnê pelo Chile, México e Brasil. Não é minha primeira vez em São Paulo, que é uma cidade de massas que ainda tem um certo senso tropical e muita natureza.

Nos anos 1990, quando a música eletrônica estava no auge, ela cultivou certa ambição. Gente como Aphex Twin, por exemplo, que quis colocá-la em museus, galerias, assim como Brian Eno tinha feito uma geração antes.

Não tenho essa preocupação de para onde vai minha música. Quero fazer uma música que seja ouvida. Não acho que tenha de fazer sacrifícios para ir com minha música a lugares onde ninguém tenha ido ainda. Só quero achar um jeito de definir a forma de uma nova música conjugada às imagens, mas que ainda seja "gostável". Muita gente não tem acesso à arte encerrada em museus e galerias, porque acham que há algo difícil de entender. Como acham que pode ser um filme de Tarkovski, ou Kubrick. Levei tempo para entender esses diretores. Posso fazer uma música que ajude as pessoas a entender a arte contemporânea, que possa ser um caminho para outro estágio.

O desafio do movimento é forte em sua música. Foi por isso que fez música para o NYC Ballet?

Gosto de dar o máximo quando estou em um projeto, mas a música do balé é um trabalho do artista francês JR. Mas, quando vi o NY Ballet pela primeira vez, fiquei tocado pelo jeito que eles trabalham com o conceito de arte. Foi muito inspirador.

Há música de Madonna também no balé. Teve contato com ela?

Não a conheço, mas admiro o que representa. É uma artista pop que ajudou a modelar a consciência das pessoas sobre religião, sexo, nudez, sexualidade.

Pelo visto, você vê grande qualidade na música pop, não?

Pop faz música para as pessoas entenderem, para tocar o máximo de pessoas possível. Música pop é algo digerível para o entendimento amplo.

Muitos críticos dizem que sua música é "épica".

É melhor usar a expressão "cinemática". Os arranjos, o uso da música orquestral, da clássica, podem de fato evocar um senso épico. Busco, principalmente, acionar emoções e paixões.

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