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Wanda Sá faz em SP shows do novo disco, com faixas inéditas e afetivas

'Cá Entre Nós' guarda uma ligação aparente com o primeiro álbum da carreira da cantora, 'Wanda Vagamente', de 1964

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2017 | 03h00

Desde que lançou o disco Cá Entre Nós, no ano passado, Wanda Sá já ouviu muitas vezes que seu novo trabalho remete ou mesmo estabelece uma ponte com o primeiro álbum da carreira, Wanda Vagamente, de 1964. Roberto Menescal – de quem Wanda foi aluna, e, há décadas, é grande amiga e parceira na música – chama Cá Entre Nós de “novo Vagamente”. Menescal foi produtor daquele álbum de estreia de Wanda e está presente agora no novo disco, assinando a faixa-título com a cantora e fazendo ainda participação especial nela, no arranjo e na guitarra. Nelson Motta, outra presença em Cá Entre Nós – ele é parceiro de Ivan Lins em Uma Simples Canção, que fecha o álbum –, rememora, no encarte do disco, o início da trajetória dos dois, que passou também pelo “hoje histórico Vagamente, onde abre o disco nossa despretensiosa parceria, Encontro, a primeira dela como compositora, e minha como letrista”, escreve ele. 

A própria Wanda Sá diz que não fez a conexão dos dois discos quando gravou Cá Entre Nós. “Essa conexão foi feita pelos jornalistas, que acharam que tinha ligação uma coisa com a outra”, diz Wanda, em entrevista ao Estado. “Eu não tinha uma ideia pronta para esse disco, normalmente chego para gravar já com uma ideia, já sabendo o que eu tenho que fazer. Para o Cá Entre Nós, eu não tinha ideia, não.”

A ligação feita entre as duas pontas da carreira da cantora, compositora e violonista de 72 anos pode ter algumas explicações. Talvez se leve em conta as ações entre amigos. Em Vagamente, tanto os companheiros de música de sua geração quanto os mestres contribuíram na construção daquele repertório com suas canções, desde Francis Hime, em Mar Azul (com João Vitório Maciel) até Vinicius de Moraes (com Edu Lobo) em Só me Fez Bem. Já em Cá Entre Nós, Wanda está cercada novamente dos amigos. E quando ela só tinha o conceito do novo álbum – que seria de inéditas –, mas ainda não sabia por onde ir, Wanda recorreu a eles. “Liguei para o Menescal, perguntei se ele tinha alguma música inédita”, conta. Menescal tinha e enviou para ela fazer a letra. Para a canção, ela sugeriu o nome Cá Entre Nós. Menescal adorou – e o nome deu o título do disco. 

“Pensei no Menescal como um amigo que eu tenho, vou estender isso para os amigos, porque é tão precioso você ter uma amizade que se perpetua há tanto tempo na sua vida”, diz. Ela partiu, então, atrás de canções de outros amigos. Vieram Em Tempo, Eu Te Amo, de Carlos Lyra, Entardecendo, de João Donato e Marcos Valle, e a já citada Uma Simples Canção, de Ivan Lins e Nelson Motta. 

Mas há também as gravações afetivas. “Tinha uma música do Ivan (Lins, parceria com Celso Viáfora), o Rio de Maio, pela qual eu tenho loucura e eu queria muito gravá-la desde que ouvi pela primeira vez. E aí, por coincidência, foram se juntando algumas canções que falavam do Rio, e foi ficando meio que uma declaração ao Rio, e os amigos foram chegando. Foi assim, algo que foi acontecendo.” 

Wanda faz uma bela regravação de The Nearness of You e revisita ainda o maestro Tom Jobim e Vinicius de Moraes, seus mestres desde quando ela ainda era uma garota que tocava bem violão e já se destacava como cantora – e também como musa – na segunda geração da Bossa Nova. Canta Fotografia, de Tom, e Cala, Meu Amor, de Tom e Vinicius. Tom Jobim, em especial, foi um grande amigo dela – e, por aquelas coincidências da vida, Wanda conversou com o Estado no último dia 25, quando Tom Jobim faria 90 anos. “Quando fui gravar o Vagamente – e talvez por isso o Vagamente entra um pouco nessa história –, o Menescal nunca tinha produzido um disco, o primeiro disco que ele produziu foi esse meu, é um pouco a nossa estreia, minha como cantora e dele como produtor. Ele falou: vou levar você na casa dos meus amigos. Quando conheci o Tom, fiquei completamente apaixonada por ele. Ele me mostrou duas músicas: Inútil Paisagem e Só Tinha de Ser Com Você. No Vagamente, gravei Inútil Paisagem, achei que foi muito generoso da parte do Tom, eu era uma menina começando.”

Mais de 50 anos depois, a voz de Wanda Sá continua a serviço da bossa. O jazz é outra paixão sua. E é pela bossa e pelo jazz que a sonoridade de seu novo disco passeia lindamente. “Só sei isso, a minha maneira de me expressar musicalmente é essa, é na bossa e no jazz, que são as músicas que eu ouço todos os dias e gosto.” Com esse repertório – e também com os clássicos –, Wanda Sá se apresenta neste sábado, 4, e domingo, 5, no Sesc Pompeia, com participação especial de Roberto Menescal e Nelson Faria. “Fui juntando coisas que estavam guardadas no baú do meu coração. É assim que eu vejo esse disco.”

WANDA SÁ 

Sesc Pompeia. Teatro. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Hoje (4), às 21h, e amanhã (5), às 19h. Ingressos: de R$ 9 a R$ 30. 

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