Wagner Tiso e Edu Lobo, unidos pela primeira vez

O compositor Edu Lobo e o maestro Wagner Tiso flertam, desde os anos 60, quando o primeiro já fazia sucesso com Arrastão e Pra Dizer Adeus e o segundo, ainda em Belo Horizonte, via nele uma direção para a música que já fazia com Milton Nascimento. Nesta quarta-feira, 4, eles se encontram, no Canecão, pela primeira vez num concerto, na abertura da quarta temporada da série MPB & Jazz. São 21 músicas de Edu (a maioria em parceria com Chico Buarque) arranjadas por Tiso. O repertório foi escolhido de comum acordo, entre os que eles gostam mais e os maiores sucessos. A cantora Zizi Possi é a convidada especial."Admiro os mineiros desde o fim dos anos 60. Todo mundo falava da Tropicália, mas eu me ligava mais na forma como os mineiros faziam música", elogia Edu Lobo. "Já fiz show com a Filarmônica de Israel, mas deixei tudo com Wagner Tiso, porque é gostoso ver o que um bom músico descobre nas nossas composições", diz o compositor, que também é maestro, embora raramente faça os arranjos de seus discos. "Só trabalhei com grandes músicos, como Luiz Eça, no início da carreira, Cristóvão Bastos e Chiquinho de Moraes, mais recentemente. No fim dos anos 60, resolvi estudar orquestração para ter o vocabulário adequado a esses maestros. Antes, eu queria pedir uma tonalidade, uma cor para a composição e não sabia me explicar."Com Tiso não há problema, porque sintonia é a palavra do maestro para resumir a admiração mútua. "Ele tem belas melodias, às vezes difíceis de cantar por causa da sua harmonização muito especial. É excitante fazer arranjos para quem entende tudo que quisermos na música", comenta Tiso. Mas ele não mudou as músicas que Chiquinho de Moraes arranjou. "São perfeitas, não faria sentido. Assim será uma homenagem a ele. Já em canções como Upa Neguinho e Vento Bravo, que não têm orquestra nas versões originais, me senti à vontade para criar os arranjos."O show terá quatro blocos, o primeiro orquestral, com Canção do Amanhecer e a Abertura do Circo Místico, o segundo com Zizi Possi ("ela gravou muitas músicas minhas e está em todos os meus projetos", diz Edu), cantando Sobre Todas as Coisas e Valsa Brasileira; um terceiro com Edu e a Orquestra Petrobrás Sinfônica (No Cordão da Saideira, Choro Bandido, Beatriz e Pra Dizer Adeus); e o grand finale, com todos juntos em Ponteio e Na Carreira. Para o público carioca, é uma rara oportunidade de ver Edu ao vivo, pois sua apresentação anterior no Rio foi no início de 2006, quando gravou o DVD Vento Bravo, com o show do Mistura Fina e um documentário sobre sua vida e obra, dirigidos por Beatriz Thielman e Regina Zappa. "O DVD sai em fins de maio e, provavelmente, farei shows para o lançamento", promete Edu, que diz também que vai gravar disco com inéditas este ano. "Mas no meu tempo, devagar."O concerto da Opes com Tiso e Edu Lobo comemora também a parceria entre o Canecão e a Petrobras, substituta da Embratel no patrocínio da casa, que completa 40 anos no dia 22 de junho. A estatal usa a Lei Rouanet (que permite destinar parte do Imposto de Renda devido a projetos culturais), mas não divulga quanto investe no Canecão nem em que bases se dá o contrato.

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