Volta do "rei" detona relançamentos

Onze meses depois de quase ir à lona, derrotado pela dor de perder sua mulher, Maria Rita, o mito Roberto Carlos sai da reclusão fortalecido. Uma avalanche de lançamentos em torno de seu nome, além de seus aguardados projetos pessoais, estão sendo finalizados para chegarem às lojas nas próximas semanas. Como se não bastassem as previsões de se vender mais de 3 milhões de cópias do novo disco Amor Sem Limites, que Roberto termina a toque de caixa, a gravadora Sony Music apresenta outras armas para aproveitar o momento de comoção pública. Vai relançar toda a discografia do cantor, em uma série que terá como título Rei, Um Milhão de Amigos, e recolocar nas prateleiras, desta vez em DVD, os três filmes estrelados por Roberto Carlos nos anos 60 e 70. Dirigidos por Roberto Farias, os filmes são Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, de 1967, Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa, de 1969, e Roberto Carlos a 300 km por hora, de 1971. Recursos só possíveis na era digital serão as maiores novidades do projeto. Em uma das opções na tela, o telespectador poderá assistir às explicações do diretor Roberto Farias sobre as cenas mais curiosas. De making of, gravação de bastidores pouco usadas à época dos registros, existe pouco material. Os mais interessantes aparecerão na fita Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa, na qual são mostrados trechos inéditos que sobraram de filmagens feitas em Israel. Histórias de bastidor "O telespectador poderá navegar na tela atrás de outras informações e escolher se deseja assistir ao filme em inglês, português ou espanhol", adianta Riva Faria, irmão de Roberto e produtor-executivo das três fitas. Histórias pouco contadas que ocorreram durante as filmagens, muitas vezes mais interessantes que os próprios roteiros, vêm à tona com o novo projeto. "Passamos por apuros em algumas gravações. Alguns deles serão contados pelo próprio Roberto Faria", diz Riva. Roberto Carlos jamais gostou de ser substituído por dublês. Por mais de uma vez, colocou sua vida em risco pelo simples prazer de sentir a adrenalina à flor da pele. Em uma cena em que um carro aparece pendurado por um guindaste, na altura do 30.º andar de um edifício no Rio de Janeiro, é o próprio "rei" quem está nas alturas. "A gente ficava lá embaixo com o coração nas mãos", lembra o produtor. Com aventura correndo nas veias, o cantor decidiu encarar, em outro momento, a gravação de uma cena em que um helicóptero atravessa todo o túnel de Copacabana. Roberto Carlos em Ritmo de Aventura chegou aos cinemas como um furacão. Época em que havia acabado de emplacar Negro Gato, o roqueiro estava no auge ao liderar o movimento iê-iê-iê. Pela primeira vez, um filme era distribuído simultaneamente para as salas de todo o País. "Antes, as produções chegavam primeiro às salas do Rio e de São Paulo para depois irem para as outras capitais. Só então eram distribuídas às cidades do interior", lembra Riva. Só no lançamento, o filme foi visto por mais de 5 milhões de fãs. Isso na época em que não havia metade das salas de cinema que existem hoje. Em um primeiro relançamento, depois de dois anos, outra multidão engrossada por cerca de 4 milhões de pessoas correu para os cinemas. Na terceira fase, quando a fita vai para a telinha, perdeu-se a noção de números. "A Globo passou este filme para concorrer com a inauguração de uma grande emissora e ganhou no Ibope. O Brasil inteiro assistiu o Em Ritmo de Aventura ao mesmo tempo."Tropa na rua - A popularidade de Roberto Carlos naquele momento era tal que, para poder gravar as cenas de guerra do filme, precisou da ajuda do próprio Exército. Todo o Rio de Janeiro parecia ter corrido para o local das filmagens para conseguir um autógrafo ou um pedaço de sua roupa. "Não teve jeito. Tivemos de chamar as tropas do Rio para conter as pessoas." Gravar Roberto Carlos a 300 km por hora, quatro anos depois do fenomenal Em Ritmo de Aventura, foi a realização do sonho de um cantor que acabara de lançar um de seus discos mais antológicos, que marca o começo de sua fase romântica, com Amada Amante, Detalhes e Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos. No novo filme, o astro aparecia nas telas na pele de um mecânico que queria se tornar piloto de corrida. O filme traz no elenco o eterno amigo Erasmo Carlos e os atores Raul Cortez e Libânia Almeida. Apaixonado por carros velozes, um Roberto Carlos que não tinha medo da morte mandou o dublê para casa e decidiu arriscar-se nas cenas mais perigosas do filme. A gravadora não definiu ainda preços para os filmes em DVD. Cada disco do cantor custará, em média, R$ 22

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