Você conhece o Dia da Música Eletrônica?

Data, criada pela vereadora Soninha Francine (PT), existe há 2 anos, mas nunca foi celebrado

Bruna Campoy, do Jornal da Tarde,

30 de setembro de 2007 | 13h36

A turma das agulhas e das picapes pediu e deu ‘quase’ certo. O Dia Municipal da Música Eletrônica, oficializado em 2005 para ser comemorado no último domingo de setembro, foi um projeto da vereadora recém-eleita Soninha Francine (PT) - que nem de música eletrônica gosta. Mas a data, que deveria ser motivo de alegria e orgulho para os amantes da música eletrônica, tem passado em brancas nuvens até por quem é do ramo - leia-se DJs, produtores e donos de boates. "A criação do projeto foi um pedido da Associação Amigos da Música Eletrônica, a AME (que hoje não existe mais). Acredito que o movimento é importante para a cultura da Cidade. Não criei a data por afinidade ao som. Na verdade, eu nem gosto. Fiz para lutar contra o preconceito que existe com os profissionais e a associação que fazem desse estilo musical com as drogas. Como se no forró ninguém entrasse em coma alcoólico", justifica Soninha, ex-VJ da MTV e comentarista esportiva. A idéia original era que, neste dia, a Prefeitura concedesse um espaço público para a realização de uma festa eletrônica gratuita. "Falta mais pressão dos próprios interessados. O poder público tem de acreditar mais na data. Aliás, uma série de datas passam despercebidas no Brasil", prossegue a vereadora. "Fiquei sabendo desta data esse ano. Acho muito boa a idéia, mas é pouco divulgada. Acredito que o próprio tempo, o boca-a-boca, a internet e a imprensa vão se encarregar de torná-la conhecida. Há muitas pessoas envolvidas com a música eletrônica. A criação deste dia é reflexo do crescimento do movimento. Para mim, é uma consagração. Hoje, a data existe em São Paulo, mais para frente pode estar em outras cidades do Brasil", afirma o DJ e proprietário do clube noturno D-Edge (localizado na Barra Funda), Renato Ratier, que completa: "Quando o mercado cresce, fica amplo, ele acaba virando um interesse do governo também". "Acho válido, mas eu mesma não sabia. Já que ele foi criado, agora é necessário mobilização das casas noturnas e das festas. Só que rola muita competição, não tem união. Se criassem um grande evento, eu me disponibilizaria a tocar, com certeza, assim como muitos outros DJs. Seria uma oportunidade de reunir pessoas de todas as idades e daqueles que nunca ouviram o som terem a chance de conhecer", conta a DJ Ingrid, de Santos.  A proprietária das consagradas boates Lov.e e Loveland (situadas no bairro do Vila Olímpia), Flávia Ceccato, confessa que, apesar de ter conhecimento da existência da data, já tinha se esquecido. "Sinceramente, eu nem lembrava. A maioria das pessoas não sabe. Existe dia de tanta coisa desnecessária... Seria válido se acontecesse algo como uma virada cultural de música eletrônica, que rolasse em várias casas ao mesmo tempo ou algum evento público de rua. Mas não acontece nada", critica. Soninha entende que a criação da data é válida também pelo fato de os artistas da cena eletrônica paulistana serem grandes representantes da cultura brasileira mundo afora. "Nos últimos anos, a música eletrônica tem-se destacado como uma das mais importantes manifestações culturais da Cidade. Os profissionais paulistanos representam o Brasil em vários festivais e paradas internacionais, divulgando a Capital nos centros culturais mais avançados do mundo." E não desanima, adiantando possíveis planos para o ano que vem: "Se criássemos uma festa como a Parada Gay, de repente deveríamos bater na porta da SPTuris, já que o retorno econômico é grande e atrai pessoas do Brasil inteiro".  Como nunca nenhum evento foi realizado em São Paulo por conta do Dia Municipal da Música Eletrônica, o Centro Cultural da Juventude realizará neste domingo uma apresentação do grupo SP Remixe (performance que improvisa imagens e sons em tempo real).  Pegando carona na data comemorativa, a D-Edge havia marcado, para a noite de sábado, uma festa com a presença do DJ francês Djinxx, do top brasileiro Mau Mau e do residente da noite, Márcio Techjun. A comemoração está prevista para continuar neste domingo com o projeto Paradise, ao som de Bruno Correia e Jollan.

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