Vocalista do Barão Vermelho, Rodrigo Suricato lança seu 3º e autobiográfico disco solo

Vocalista do Barão Vermelho, Rodrigo Suricato lança seu 3º e autobiográfico disco solo

Álbum 'Na Mão as Flores', inteiramente composto, tocado, arranjado e interpretado por ele, chega às plataformas digitais nesta sexta, 26; disco do Barão será lançado em agosto

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 03h00

Aos 40 anos, Rodrigo Suricato é dono de uma carreira peculiar, por assim dizer. Ele talvez seja o único vocalista de banda que consegue manter, literalmente, sua carreira solo em paralelo. Há dois anos, Suricato aceitou o desafio de assumir os vocais do Barão Vermelho, posto eternizado por Cazuza e Frejat. Baita responsabilidade. Sem querer ser uma réplica de um ou de outro, o músico imprimiu sua própria marca nessa nova jornada do Barão. Mas, para entrar na banda – da qual era fã antes de ser integrante –, era imprescindível para ele que seguisse com sua carreira solo. De um lado, queria continuar a ter o controle do próprio trabalho e, de outro, participar de um processo em que a decisão é tomada coletivamente. 

Esses dois caminhos rendem agora discos que serão divulgados praticamente um em seguida do outro. Suricato lança nesta sexta-feira, 26, nas plataformas de streaming, seu 3.º disco solo, Na Mão as Flores, inteiramente composto, tocado, arranjado, interpretado e produzido por ele. Em agosto, com Suricato como vocalista, o Barão Vermelho coloca no mercado seu novo disco, o primeiro de inéditas após 15 anos. “Depois da saída do Cazuza, esse é o primeiro disco do Barão que é composto por todos os integrantes da banda.” E Suricato, que também é compositor, contribuiu para isso.

Explica-se: sem seu poeta Cazuza, o Barão acabou se abrindo para compositores e parcerias de fora da banda. Assim, nasceram, por exemplo, canções como Eu Tô Feliz, assinada por Frejat com Arnaldo Antunes; Boomerang Blues, de Renato Russo, entre tantas outras. “Gravei os dois discos ao mesmo tempo e é muito bacana, porque cada projeto tem sua dor e delícia”, diz o músico, que também participou tocando nos novos discos de Zélia Duncan e Ana Carolina. “Fico feliz em entrar na discografia do grupo.”

De volta a Na Mão as Flores, Suricato considera o novo disco seu trabalho mais autobiográfico, em letras que expõem seus sentimentos e pensamentos de forma simples, poética e positiva. “Eu perco /A calma quando fico muito tempo sem te ver/ Não é ciúme, eu juro /É só cuidado com você/ Não é bom ficar sozinho /No calor e nem no frio”, traz um trecho de A Canção Que Todo Mundo Anda Fazendo. “Nada melhor do que compor em primeira pessoa, para entender meus próprios dilemas.” 

Fruto de um processo de autoconhecimento que, naturalmente, o fez ter o controle de todas as etapas do álbum. Para não dizer que ele não compartilha nada nesse trabalho, Marco Vasconcellos está também na produção. “O resto eu assino sozinho”, afirma. “É a primeira vez que consigo ter esse guitarrista e um compositor na melhor fase deles”, diverte-se, então, com as autorreferências.

Com 10 faixas e duas bônus track, Na Mão as Flores navega pelo folk pop, com uma assinatura muito particular de Suricato. Aqui, ele tira o folk da roça e o traz para a contemporaneidade, para a cidade. Em meio a esse universo sonoro e autoral, o músico traz um clássico de fora. De Belchior. Como Nossos Pais, ‘blueseira’ e com guitarra marcante de Suricato, descola-se da versão do próprio Belchior e de outra, bastante popular, na voz de Elis Regina. “Era uma forma de homenageá-lo. A letra é atual, tem uma força. E ela traz uma das frases que mais gosto: ‘Que qualquer canto é menor/Do que a vida de qualquer pessoa’.” 

Tal como no disco, em que Rodrigo Suricato toca grande parte dos instrumentos sozinho, entre violões, guitarras, baixo, percussão e tantos outros, o músico estará assim nos shows, nessa versão que muitos chamariam de ‘one man band’. 

Ele conta que é uma apresentação dinâmica, muito longe daquele formato mais tradicional de voz e violão. “O show tem uma potência sonora, mas também pode ser apresentado em teatros mais intimistas.” A turnê de Na Mão as Flores tem início no Teatro Net Rio, em 20 de agosto, e segue depois para o Teatro Net São Paulo, no dia 29 de agosto, e para Belo Horizonte, em setembro. “O disco começa individual”, diz. “Mas se espalha no coletivo, no sentido de encontrar o público.” 

 

 

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