Violeiros de Campinas inovam na Filarmônica de Violas

Formada por 32 violeiros, a Orquestra Filarmônica de Violas já tem um disco pronto, que deve ser lançado em setembro. Apenas com músicas caipiras, o CD, ainda não batizado, foi gravado ao vivo no auditório do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e terminou de ser mixado esta semana. O disco apresenta clássicos do cancioneiro caipira de várias regiões do Brasil. Três das músicas são cantadas e outras onze interpretadas em versão instrumental. A Filarmônica de Violas se diferencia de outras orquestras do gênero pela proposta inovadora de aproximar a sonoridade à de uma orquestra convencional. Os músicos são divididos em sete naipes com distinção de base, percussão e solo. "Nosso diferencial é explorar a sonoridade com caráter de orquestra convencional", explica o idealizador da Filarmônica, maestro, arranjador, compositor, pesquisador e, claro, violeiro de mão cheia Ivan Vilela. Os arranjos do repertório da orquestra são dele, de João Paulo Amaral e de Vinícius Alves. A Filarmônica é projeto antigo de Vilela. Começou a ganhar forma há dois anos, mas quase foi abandonado. Foi da insistência dos integrantes, que promoveram de rifas a jantares para custear a orquestra, que surgiram as primeiras apresentações. Dos 32 tocadores, apenas seis são músicos profissionais. O grupo reúne de adolescentes de 14 anos a uma "menina" de 77 anos, como diz Vilela. Há doutores formados no exterior e semi-analfabetos, moradores de condomínios em bairros de classe média alta e de favelas da cidade. Reúnem-se para aulas e ensaios duas vezes por semana. O grupo já tem pronto um novo repertório, que inclui composições de Edu Lobo, Tom Jobim e Beatles. "A intenção é mostrar que a viola é um instrumento para qualquer tipo de música", diz o maestro. Vilela comenta que de Portugal, o país que mais inventou instrumentos de corda dedilhada do mundo, foram trazidas para o Brasil nove afinações de viola. Hoje, por causa do auto-aprendizado, elas são pelo menos 20. A interpretação é mais intuitiva que técnica e poucos são os violeiros que sabem ler partitura. Até mesmo na Filarmônica. "É um desafio a ser superado", decreta. Vilela comemora o lançamento de pelo menos 30 discos de viola instrumental nos últimos seis anos e a criação da primeira cadeira universitária de viola caipira no Brasil, que será instituída na Faculdade de Música da Universidade de São Paulo USP em Ribeirão Preto já a partir do próximo ano. E o professor escolhido por meio de seleção é ele mesmo. "Foi uma atitude moderna criar na Faculdade de Música uma interface entre o erudito e o popular. Tentamos fazer isso na orquestra", diz o violeiro, adiantando que pretende instituir na universidade um centro de música tradicional brasileira", alega.O trabalho mais recente de Vilela é o disco Caipira, ao lado da cantora Suzana Salles e do cantor Lenine Santos. O trio está em cartaz no restaurante Buttina, às quartas-feiras, até o dia 25. O show é uma reprodução fiel do disco, com as músicas interpretadas na mesma seqüência.Caipira - Show com Suzana Salles, Lenine Santos e Ivan Vilela. Restaurante Buttina. Rua João Moura, 976, tel. 3083-5991 e 3088-6840. Quartas-feiras, 22 horas. Couvert artístico: R$ 15. Até 25/8

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