Viola vira instrumento de questões ecológicas

O 1.º Festival de Inverno de Alto Paraíso vai reunir de hoje a sábado alguns dos melhores violeiros do Brasil, como Renato Andrade, Ivan Vilela, Paulo Freire, Roberto Corrêa e Almir Sater, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O encontro promete ser histórico no gênero. "É uma espécie de ´Woodstock´ da viola", define o empresário e ambientalista Paulo Maluhy, diretor-presidente da organização não governamental (ONG) Oca Brasil, promotora do festival. Até violonistas de repercussão internacional, como Yamandú Costa e Badi Assad, trocarão seu instrumento principal pela viola. Os shows têm entrada franca e vão começar às 21 horas. Trata-se de um evento ecológico que utilizará a música para chamar a atenção sobre o grave problema da devastação do Cerrado. "Isto aqui é área de proteção ambiental estadual e nacional, é patrimônio natural da humanidade, reserva da biosfera da Unesco, é o segundo bioma brasileiro", denuncia Maluhy. "Há um estudo de uma ONG internacional que dá menos do que 30 anos para isso aqui acabar. Podemos fazer com que se criem políticas ambientalistas para conter esse avanço." Para Maluhy, a escolha da viola como instrumento para promover a sustentabilidade socioambiental do Cerrado é emblemática: "Ela é tão frágil e vulnerável como o meio ambiente?. Conterrâneos de Renato Andrade - considerado o maior mestre vivo da viola -, os mineiros Roberto Corrêa e Ivan Vilela são dois dos grandes divulgadores e incentivadores do instrumento. Outro é o mato-grossense Almir Sater, que até virou astro de novela e teve uma fase de celebridade pop por conta disso. Tem parcerias preciosas com o paulista Renato Teixeira (outra atração do festival), como a emocionante Tocando em Frente, grande sucesso na voz de Maria Bethânia. Vilela lançou recentemente um CD antológico, Caipira, com os cantores Suzana Salles e Lenine Santos. Roberto Corrêa é um respeitado pesquisador da viola. Tem diversos discos, um deles em parceria com Renato Andrade, e livros publicados sobre o tema, como Viola de Cocho e A Arte de Pontear Viola. Além dos shows, será realizado um grande debate sobre o Cerrado, com ambientalistas, antropólogos e representantes de entidades preservacionistas. Com sede em Alto Paraíso, a Oca é uma entidade dedicada à conservação ambiental e à ecologia humana. Trabalha para conscientizar autoridades e a população sobre a importância de preservação do Cerrado brasileiro, particularmente a área da Chapada dos Veadeiros. Alto Paraíso fica a 420 km de Goiânia e a 230 km de Brasília.

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