Veterano baterista é destaque no Free Jazz 2001

É mais ou menos como começar um jogo ganhando de cinco a zero. Quando estava no colégio, o baterista Foreststorn "Chico" Hamilton costumava tocar jazz com alguns coleguinhas de escola, entre eles Dexter Gordon, Illinois Jacquet e Charles Mingus.Hoje com quase 80 anos (ele os completa em setembro) , o baterista Chico Hamilton é uma das principais estrelas do Free Jazz 2001. Ele fez parte do lendário quarteto de Gerry Mulligan e Chet Baker nos anos 50, alternando as baquetas com Dave Bailey e Larry Bunker. O baterista costuma demonstrar um vigor físico, durante suas apresentações, de alguém de 20 e poucos anos.O Free Jazz Festival está confirmado para outubro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Jockey Club de São Paulo. As atrações jazzísticas vão promover um retorno do festival ao mainstream do gênero, com muitos nomes de veteranos no "cardápio" do evento.Chico Hamilton é um dos mais veneráveis entre os veteranos do jazz. "Quando comecei, ainda criança, tocava clarineta", ele lembrou, em entrevista por telefone, na semana passada. "Meu irmão costumava brincar com uma bateria e eu comecei a experimentar, e não parei mais", contou.Hamilton disse que esta não é a primeira vez que vem a São Paulo. Já esteve aqui para visitar amigos. Disse que gostou da cidade e não se sentiu intimidado pelo gigantismo e o caos da capital paulista. "É um bom lugar e tem muita diversidade de ritmos e músicos."Sobre o fato de ter tocado, ao longo da carreira, com gente como Duke Ellington, Charles Mingus, Lena Horne, Count Basie, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billy Eckstine e Sammy Davis Jr., Ilinois Jacquet, Lester Young e Lionel Hampton, Hamilton mostra reverência e humildade."Todos eles eram grandes, porque eram todos diferentes", ele disse. Hamilton, de Los Angeles, é celebrado por músicos, mas sempre teve menos destaque na mídia especializada que alguns colegas do instrumento, como Art Blakey, Max Roach e Elvin Jones.Seu nome está presente em inúmeras gravações de Billie Holiday, como Jazz At the Philharmonic e At Carnegie Hall (ambos da Verve, de 1956). "Uma pessoa muito distinta, uma cantora excepcional, foi muito bom ter tocado com ela, assim também como foi uma honra ter tocado com Lena Horne e Ella Fitzgerald", ponderou o baterista, que não é de falar muito.Hamilton tocará no Free Jazz com a banda Euphoria, com a qual grava há pouco tempo, mas cujos músicos já têm grande intimidade com ele. É formada atualmente por Cary DeNigris (guitarra), Eric Lawrence (sax), Evan Schwam (sax tenor e flauta) e Paul Ramsey (contrabaixo). Em discos recentes, Hamilton e Euphoria gravaram com inúmeros convidados especiais, tais como Eric Schenkman (guitarrista dos Spin Doctors, aluno de Chico), John Popper (dos Blues Traveler) e Charlie Watts (dos Rolling Stones).Hamilton demonstrou estar bem atento para a evolução do gênero jazz dentro da moderna música ocidental. "Não concordo que todos os grandes bateristas do jazz sejam veteranos, uma raça em extinção", afirmou. "Há grandes nomes nas novas gerações, como Louis Nash - já o ouvi e sei que é excepcional, mas não sei de onde é nem me lembro bem de outros, porque minha cabeça não é boa para nomes."Louis Nash é um talento já muito reconhecido no cenário do jazz. Gravou com a pianista Renee Rosnes o disco With a Little Help from My Friends, que conta com participações, entre outros, de Ron Carter, Dianne Reeves, Joe Henderson, Branford Marsalis, Wayne Shorter e Christian McBride."Em São Paulo e no Rio, vou tocar minha música, composições de todos os meus discos", anunciou o músico. O repertório terá como eixo central o disco Foreststorn, lançado este ano pela Koch Jazz, com participações do trombonista Steve Turre e do baterista Charlie Watts, dos Stones. Suas músicas passeiam da bossa nova (em That Boy with That Long Hair) ao blues mais tradicional (I´m Gonna Move to the Outskirts of Town).Hamilton, que já gravou, ao longo de 60 anos de atividade, com Eric Person, Buddy Collette, John Pisano, Archie Shepp, Gabor Szabo e outros mitos do jazz, foi um dos responsáveis por ter apresentado o jazz a gigantes como Eric Dolphy, Jim Hall e Charles Lloyd.Em 1993, pela Soul Note, gravou sozinho, sem banda, Dancing to a Different Drummer, um disco acústico no qual exercita todas suas sutilezas rítmicas, ele que é tido como um grande melodista. O disco virou documentário sob o mesmo nome, dirigido por Julian Benedikt em 1994.

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