Venezuelano Dudamel volta ao Brasil com jovens da Simón Bolívar

Maestro e orquestra apresentam domingo e segunda na Sala São Paulo obras de autores latinos e de Mahler

João Sampaio, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2014 | 21h20

O maestro venezuelano Gustavo Dudamel e seus músicos da Sinfônica Simón Bolívar desembarcam neste fim de semana em São Paulo para duas apresentações. Esta é a terceira visita da orquestra e seu regente ao Brasil - e, desta vez, domingo e segunda, na Sala São Paulo, serão apresentados dois programas bastante distintos, um com música latino-americana e a Sinfonia Fantástica, de Berlio, e outro com a monumental Sinfonia n.º 9 de Mahler.

Dudamel e a Simón Bolívar são as estrelas do El Sistema, projeto venezuelano de educação musical criado nos anos 70 que hoje reúne 250 mil músicos pelo interior da Venezuela.

O maestro começou sua carreira internacional na Suécia, onde dirigiu a Sinfônica de Gotemburgo. Há cinco anos, foi nomeado diretor da Filarmônica de Los Angeles. Sua chegada ao cenário americano surpreendeu o meio musical, que passou a prestar atenção em novos talentos da regência na hora de escolher seus diretores - e não é por acaso que, após a nomeação de Dudamel, nomes como Yannick Nezet-Seguin, Alan Gilbert e Vassily Petrenko assumiriam em seguida importantes conjuntos dos Estados Unidos e da Europa.

Na primeira visita ao Brasil, em 2011, orquestra e maestro interpretaram Mahler, Ravel, Stravinski e alguns autores latinos, como Carlos Chávez. No ano passado, Beethoven - a Quinta Sinfonia - e Stravinski - a Sagração da Primavera.

Desta vez, também vão ser dois os programas, que fazem parte da programação da Sociedade de Cultura Artística. No domingo, serão interpretadas Margariteña, de Inocente Carreño; as Bachianas Brasileiras n.º 2, de Villa-Lobos; e a Sinfonia Fantástica, de Berlioz. Na segunda, será a vez da Sinfonia n.º 9, de Mahler.

Não será o primeiro Mahler de Dudamel no Brasil - em 2011, regeu a Sétima Sinfonia. Mas a Nona, por suas dimensões e por toda a simbologia que carrega (foi a última obra completada pelo compositor) é sempre um acontecimento especial. Em tempo: Dudamel traz a tiracolo um CD em que rege a peça, gravado no final do ano passado com a Filarmônica de Los Angeles.

ORQUESTRA SINFÔNICA SIMÓN BOLÍVAR

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elísios, 3223-3966. Dom. e 2ª, 21h. R$ 50/R$ 455.

Sinfônica Municipal interpreta peça de Mahler

A Nona de Mahler não será a única oportunidade, esta semana, de ter contato direto com a obra do compositor austríaco: no domingo e na segunda, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta, sob regência do maestro John Neschling, a Sinfonia nº 3 do compositor. As apresentações acontecem no Teatro Municipal e terão a mezzo-soprano Lidia Shäffer como solista e participação do Coral da Gente, formado por crianças e adolescentes do Instituo Baccarelli.

A obra foi composta entre 1893 e 1896 e, no material distribuído à imprensa, o maestro Neschling destaca a modernidade da obra. "Foi exatamente neste século que a escrita orquestral ganhou contornos modernos, explorou uma extensa gama de possibilidades sonoras até então desconhecidas e preparou o caminho para as sonoridades dos séculos 20 e 21."

A apresentação marca o início da integração entre os alunos da Orquestra Experimental de Repertório e o conjunto profissional do Municipal. A ideia é que os jovens participem dos ensaios da orquestra. Seis músicos foram selecionados para os concertos desta semana - e eles também estarão sobre o palco durante as apresentações. São eles: os violinistas Diego Adinolfi Vieira, Rodolfo Guilherme da Silva e Wallace Bispo dos Santos ; os contrabaixistas Gustavo Quintino e Marcos Paulo Magni; e a percussionista Rosangela R. da Silva.

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

Teatro Municipal. Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, 3397-0300. Dom, 17 h; 2ª, 20 h. R$ 20/R$ 60. 

Tudo o que sabemos sobre:
DudamelSimón BolívarSala São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.