Vem aí o balanço básico do Earth, Wind & Fire

Com 8 Grammys, a banda chega ao 23.º CD com a participação de Will.i.am, do Black Eyed Peas

Jotabê Medeiros, de O Estado de S.Paulo,

29 Janeiro 2008 | 22h30

O pioneiro funksoulgroup Earth, Wind & Fire (EW&F), fundado há quase 40 anos em Chicago, volta a São Paulo 25 anos após sua primeira visita, em 1983, quando uma orquestra de black music como a deles ainda era chamada de "conjunto" e a música da época ainda estava totalmente contaminada pelo som discothèque. O baixista Verdine White, criador de uma das pulsões mais irresistíveis das pistas em todos os tempos (quem já não dançou ao som de Let’s Groove?), diz que lembra com precisão da última visita ao Brasil.    Ouça trecho de Let's Groove   "Foi um show fantástico, e sempre esperamos muito pelo retorno", afirmou White, falando por telefone ao Estado, na segunda-feira, 28. "Estamos voltando com uma bela seção de metais, seção rítmica, uma grande orquestra de 12 pessoas", anunciou. Ao virem ao País pela primeira vez, eles já tinham um grande conhecimento da música nativa e chegaram a emplacar no disco All in All, de 1977, grande sucesso, Brazilian Rhyme (que continha uma versão de Beijo Partido, de Toninho Horta).   White é um dos três irmãos que estão no cerne da música do EW&F - o líder do grupo é Maurice White, que criou o grupo na época em que era baterista do Ramsey Lewis Trio, em Chicago. Por motivos de saúde (ele sofre do Mal de Parkinson), Maurice, que está com 67 anos, não vem ao Brasil.   A banda chega a bordo de seu 23º disco, Illumination, lançado em 2005, que conta com a participação de Will.i.am, do Black Eyed Peas, na primeira faixa. E chega com uma bagagem de hits invejável (nesses 38 anos, a banda ganhou 8 prêmios Grammy e vendeu 80 milhões de cópias de seus discos). Em dezembro do ano passado, junto com Alicia Keys, Melissa Etheridge e Annie Lennox, eles animaram a entrega do Prêmio Nobel, na Dinamarca.   "Há grandes cantoras surgindo na música negra hoje em dia, como Alicia Keys, Mary J. Blige, Amy Winehouse", disse Verdine White. "Gosto muito desse processo contínuo. Nossa ambição na música sempre foi misturar tudo isso, música africana, gospel, R&B, funk, e criar com isso uma espécie de patrimônio sonoro que pudesse sobreviver ao teste do tempo."   Para se ter uma medida da influência do som do EW&F na música contemporânea, basta dar uma olhada nos artistas que gravaram, no ano passado, o disco Interpretations, releituras de canções da banda: Angie Stone, Chaka Kahn, Dwele e Meshel Ndegeocello, entre outros. Canções como Shining Star, Reasons e Got to get You into My Life e outras criaram um léxico todo particular na música de pista do planeta.   Obviamente, o EW&F também experimentou o desgaste e a decadência nesse período, por conta de excessos e extravagâncias de arranjos e temas, mas nunca perdeu a fleuma de usina de hits. Apesar da ausência de Maurice White, o restante da formação histórica está vindo ao Brasil, com o lendário Ralph Johnson na bateria, mais o cantor Philip Bailey, de 57 anos.   Verdine White é uma simpatia, mas muito econômico nas frases. Sobre a morte de James Brown, ele fez um breve pronunciamento: "Inscreveu seu nome na história da música. Ele vai viver em nossos corações para sempre." Sobre a chance de um afro-americano, Barack Obama, vencer as eleições norte-americanas pela primeira vez, ele não se mostrou demasiado entusiasmado. "Tem gente diferente na disputa. Gente nova. É uma das boas coisas que a democracia possibilita."   Sobre as influências como baixista, também não se alongou muito. "Claro que gosto de Ray Brown. Ele é grande como James Brown, como Jaco Pastorius. Está entre os grandes baixistas que eu tenho na minha discoteca", disse apenas. "Uma combinação entre as novas músicas e os nossos clássicos possibilitará uma bela noite", prometeu Verdine.

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