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Antônio AlmeidaJoão Gilberto imortalizou Doralice, parceria de Antônio Almeida e Dorival Caymmi, e todos sambem cantar A Saudade Mata a Gente, dele e de João de Barro, o Braguinha. Carioca de Vila Isabel, nascido em 16 de agosto de 1911, Almeida é ainda autor de Helena, Helena, samba que teve mais de 100 gravações, parceria com Constantino Silva, e de A Mulata é a Tal, outra escrita a quatro mãos com Braguinha. Foi produtor de shows para os cassinos da Urca e de Icaraí, fez programas de rádio, assumiu a direção artística da gravadora Todamérica (de elenco eminentemente nacional). Foi ele, por exemplo, quem escolheu, para Elisete Cardoso, a Canção de Amor (de Chocolate e Elano de Paula, que se tornaria prefixo da cantora) para ser a faixa que "puxaria" o segundo disco da grande intérprete. Antônio Almeida suicidou-se, esquecido, em dezembro de 1985. Antônio RagoNeto de calabreses, nascido e criado no Bixiga - bairro ao qual dedicou a canção Meu Pedaço de Rua, escrita em parceria com Waldo Guilherme e Taverna -, Antônio Rago é menos conhecido do que outros grandes violonistas de que a cidade foi sempre pródiga, seguidor da escola de mestres como Garoto, Canhoto, Armandinho Neves, Aymoré, antecessor de Paulinho Nogueira e inspirador de uma leva sem conta de bons instrumentistas dos dias de hoje. Antônio Rago nasceu no dia 2 de julho de 1916. Começou a aparecer com 15 anos, tornou-se profissional aos 20 e virou acompanhante preferido de grandes intérpretes, como Francisco Alves. Dirigiu o Regional da Rádio Tupi de São Paulo, criou seu próprio regional - em si mesmo, uma escola - e, entre seus inúmeros sucessos, faz-se destacar o bolero Jamais te Esquecerei.Claudette SoaresA mãe adorava cinema. Batizou a menina de Claudette Colbert Soares. Num percurso inverso ao mais comum, ela depois abrasileiraria o nome. Claudette Soares nasceu no Rio, em 31 de julho de 1937. Começou, criança, no programa Clube do Guri, da Rádio Tamoio, e participou de outro programa famoso, o Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional (Dóris Monteiro e Lúcio Alves também despontaram ali). Antes de integrar-se à turma inicial da bossa nova, foi feita a Princezinha do Baião, para atender ao modismo dos anos 50. Em seguida, trocaria o Rio por São Paulo, cantando nos redutos da bossa ? Baiúca, João Sebastião Bar e outros pontos. O primeiro disco-solo foi Claudette É Dona da Bossa, de 1964, que registrava na voz forte mas delicada coisas como Garota de Ipanema (Tom e Vinícius) e Tristeza de Nós Dois (Maurício Einhorn, Bebeto e Durval Ferreira).Claudionor CruzParceiro de André Filho, Wilson Batista, Dunga, Pedro Caetano e, entre muitos outros, Ataulfo Alves (com quem assina os clássicos Errei e Sei que É Covardia), o mineiro (de Paraibuna) Claudinor José da Cruz foi, além de grande compositor, um dos grandes líderes de regionais da música brasileira, nos anos 40 e 50. Seu grupo teve como integrantes gênios do quilate dos violonistas Bola Sete e Arlindo Fereira, do clarinestista Abel Ferreira e do pandeirista Jair do Pandeiro. Nascido em 1910 (morreria em 1995), Claudinor Cruz gravou com Dircinha e Linda Batista, Ângela Maria, Araci de Almeida, Gilberto Alves, João Petra de Barros. Foi grande arranjador e professor de música. Esquecido, trabalhou no cais do porto e fez outros bicos, até ser redescoberto, nos anos 70, com o movimento de então de revalorização do choro.Germano MathiasDoutorado em samba nas rodas que se formavam na Praça da Sé, na segunda metade dos anos 40, Germano Mathias nasceu em São Paulo, em 2 de junho de 1934. Daquelas rodas, surgiu ? nada de exotismo, apenas uma questão de oportunidade ? seu instrumento de percussão peculiar, a tampa da lata de graxa, funcionando como um tamborim metálico. Consagrou-se como intérprete, embora seja bom compositor ? como atesta o samba Guarde a Sandália Dela, dele e de Sereno, que está nesse disco e que foi gravado por Elis Regina e Jair Rodrigues no histórico Dois na Bossa. Atuou nas principais emissoras de rádio e televisão de São Paulo e teve um programa na Globo, Nosso Ritmo É um Sucesso. Gravou mais de 20 discos e é um dos guardiões da memória do samba paulista. Hermeto PascoalEle prefere assinar Hermeto Paschoal, como aparece em seu certificado de reservista ? até então, não tinha documento de identidade. Alagoano de Lagoa das Canoas, município de Arapiraca, nascido em 1936, aprendeu música sozinho, tocando uma sanfona de oito baixos (apelidada pé-de-bode). Formou dupla com o irmão, José Netto, com quem foi para o Recife, mudando-se depois para o Rio, onde começou a se destacar nos grupos de Fafá Lemos e Copinha. Adiante, veio para São Paulo, tocando flauta, contrabaixo, piano; pariticipou dos grupos Som Quatro e Sambrasa Trio e, adiante, do brilhante Quarteto Novo, com Théo de Barros, Ayrto Moreira e Heraldo do Monte. É um dos mais formidáveis e pouco convencionais músicos da cena contemporânea internacional. João NogueiraHá grandes cantores de samba e há os geniais. João Batista Nogueira Júnior foi genial entre os geniais. A maneira como lidava com a divisão de letra e melodia nunca foi antes experimentada ou depois alcançada por ninguém. Além disso, esse carioca nascido em 12 de novembro de 1941 era um compositor extraordinário. Assinou páginas que estão entre as mais belas de toda a música popular brasileira, como Súplica, Poder da Criação, Espelho (parcerias com Paulo César Pinheiro). Compôs sambas-enredo para a Portela e a Tradição, foi presidente do Clube do Samba, começou como office-boy, foi bancário, considerava-se um ?sambista de calçada? ? um homem da rua. Morreu no dia 5 de junho do ano passado, depois de resistir a vários derrames, nos últimos tempos.Joel de AlmeidaCarioca, ex-seminarista, nascido em 1913, Joel de Almeida era funcionário da pioneira editora e gravadora Casa Edson. Foi lá que tomou contato com música e músicos ? que ensaiavam na casa, onde também se vendiam instrumentos e partituras. Formou dupla famosa ? Joel e Gaúcho. Tocava chapéu de palha e Gaúcho (Franciso de Paula Brandão Rangel) foi um dos comandados de Getúlio Vargas que amarraram os famosos cavalos no Obelisco da Avenida Rio Branco, no centro do Rio, marco do fim da República Velha. Com Gaúcho ou sozinho, Joel lançou sucessos como Pierrô Apaixonado, Aurora, Cai, Cai, Nasci Para Bailar, Quem Sabe, Sabe, Canção pra Inglês Ver, Madureira Chorou (um de seus poucos trabalhos como compositor, parceira com Carvalhinho).Mestre MarçalNilton Delfino Marçal era filho de Armando Vieira Marçal (1902-1847), da dupla famosa Bide e Marçal ? os autores de Agora é Cinza ? e pai de Marçalzinho, percussionista com larga reputação entre os grandes da música nacional e do jazz e do pop internacionais. Nasceu no Rio, em 1930, e morreu 1994. Ganhou o título de Mestre comandando a bateria do Império Serrano, depois da Portela e da Unidos da Tijuca. Foi quem introduziu o tímpano nas baterias das escolas, nos anos 60. Foi um dos maiores diretores de bateria da história do carnaval. Ao mesmo tempo, cantava ? em casas noturnas, sem se arriscar no disco, o que só viria a acontecer em 1979, quando gravou elepê dedicado à obra do pai. O mundo soube do grande cantor, que ainda fez outros dois discos, nos anos 90.Nana CaymmiDinahir Tostes Caymmi nasceu no Rio, em 1941. O pai, Dorival, não queria que a filha fosse cantora (embora, em 1961, tenha gravado em dupla com ela a canção Acalanto, que Dorival cantava para a menina dormir). A carreira parecia ali encerrada. Nana casou, foi para a Venezuela, teve filhos. No entanto, lá, gravou um disco, Nana Caymmi, em 1965. No ano seguinte, voltou ao Brasil, para defender, num festival da canção, a convite do irmão Dori, a música Saveiros, de Dori e Nelson Motta. Casou de novo, com Gilberto Gil, e defendeu música dele noutro festival, no ano seguinte, Bom Dia. Cantora de técnica inigualável e de opção radical pela qualidade, o quem vem pautando a longa e vitoriosa carreira, Nana é a grande voz da MPB de hoje e das maiores de sempre.Octacílio Batista e Diniz VitorinoDá-se o nome de encontro de violeiros ao ato de cantar desafios. Otacílio Batista e Diniz Vitorino são dos dois maiores nomes da cantoria nordestina, improvisadores de imaginação e verve. Como regra, são os presentes à cantoria que propõem os temas que os poetas vão desenvolver, explorar, esmiuçar. Este CD é um volume especial da série que integra. Quase não há entrevista: praticamente tudo o que existe para ser dito é dito com música ? é cantado, com os contendores tratando de suplantar um ao outro. A própria história de Otacílio e Diniz (aquele de São José do Egito, Pageú das Flores, Pernambuco, este de Monteiro, Paraíba) surge num martelo dodecassílabo, mas também em mourões, sextilhas, quadrões ? e assim por diante. Batatinha, Ederaldo Gentil e RiachãoO nome oficial desse CD é Sambas da Bahia. Reúne três das maiores expressões do samba baiano, pares nordestinos de Cartola, Nelson Cavaquinho, Wilson Batista ou de Lupicínio. São eles Batatinha, Ederaldo Gentil e Riachão. Nasceram os três em Salvador, entre os anos 20 e os 40. Batatinha é, no entendimento do poeta baiano, também compositor, José Carlos Capinan, o pai de todos os que fazem música no Estado. Riachão mistura a linguagem do coco e da embolada, lembrando Jackson do Pandeiro e Gordurinha ? sempre de acordo com a percepção de Capinan. Por fim, Ederaldo Gentil, mais jovem, representa, para o samba urbano da Bahia, o que Paulinho da viola e Elton Medeiros significam para o do Rio de Janeiro.Tito MadiNascido em Pirajuí, no interior de São Paulo, em julho de 1929, Tito Madi é um dos precursores da bossa nova (embora nem sempre seu nome seja, como seria de justiça, citado nessa categoria), um cantor de voz suave e afinadíssima, compositor delicado, de veia poética impregnada de um romantismo sentimental que lhe traduz a personalidade. Seu pai tocava alaúde, os irmãos iam de violão e bandolim. Com os irmãos, montou um serviço de alto-falantes que animava a cidade e fez nascer a rádio local. Nos anos 50, Tito veio para São Paulo e começou a vida profisssional, continuada no Rio, compondo canções da beleza de Chove lá Fora, Não Diga Não, Cansei de Ilusões, Balanço Zona Sul. Foi uma das estrelas mais brilhantes da noite carioca dos anos 50 e 60.

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