Veja a trajetória de Dorival Caymmi

Cantor e compositor baiano morre aos 94 anos e deixa repertório com mais de 120 músicas

Da redação,

16 de agosto de 2008 | 11h18

O cantor baiano Dorival Caymmi deixou cerca de 120 músicas e foi um ícone da música popular brasileira. Veja abaixo a trajetória do compositor:     1914 Nasce no dia 30 de abril na Rua da Bângala (depois Luiz Gama) em Salvador, Bahia   1927 Interrompe o curso ginasial para trabalhar como auxiliar de escritório na redação do jornal O Imparcial   1930 Compõe sua primeira canção, a ingênua toada No Sertão, que nunca foi gravada. Revendo-a mais tarde considerou-a "cheia de lugar-comum, uma composição de modinheiro"   1935 É aprovado em teste na Rádio Clube da Bahia, onde começa a cantar esporadicamente   1936 Vence concurso carnavalesco com A Bahia Também Dá, também jamais gravada, e ganha como prêmio um abajur de cetim   1938 Desembarca no Rio de Janeiro, onde publica desenhos na revista O Cruzeiro. Estréia na Rádio Transmissora cantando o samba O Que É Que a Baiana Tem?, incluído no filme Banana da Terra, de J.Rui   1939 Grava O Que É Que a Baiana Tem?, em dupla com Carmen Miranda, que se torna uma sucesso nacional. É cantando esse samba na Broadway que a cantora se projeta nos Estados Unidos   1940 Passa a atuar na Rádio Nacional, onde conhece a cantora Stella Maris, com quem se casa em abril do mesmo ano. O casal tem três filhos: Nana (1941), Dori (1943) e Danilo   1941 Obtém êxito com Requebre Que Eu Dou um Doce e Você Já Foi à Bahia?, dois dos vários sambas seus gravados na época pelo grupo Anjos do Inferno. Encontra Walt Disney, que veio ao Rio acompanhar a estréia de seu desenho clássico Fantasia. Faz o papel de pescador num curta-metragem baseado em sua canção A Jangada Voltou Só.   1943 Freqüenta curso de desenho na Escola de Belas Artes do Rio   1944 Tem a letra original de Vestido de Bolero vetada por causa dos versos 'Se o casaco for vermelho/ Todo mundo vai usar'. No entender do censor, poderia ser uma alusão ao comunismo   1945 Engaja-se na campanha de Luiz Carlos Prestes ao Senado e passa a ser perseguido pela polícia   1947 Lança o samba-canção Marina, que alcança enorme sucesso na voz de Dick Farney   1950 Atua no filme Estrela da Manhã de Jonald (Oswaldo Marques de Oliveira), com argumento de Jorge Amado   1954 Muda-se para São Paulo, onde atua na Rádio Record e em boates, voltando para o Rio no ano seguinte. Grava o primeiro LP, Canções Praieiras (Odeon), acompanhando-se ao violão   1955 Lança o segundo LP pela Odeon, Sambas de Caymmi, com Sábado em Copacabana, Não Tem Solução, Só Louco, Vestido de Bolero e A Vizinha do Lado, entre outros   Perde o parceiro Carlinhos Guinle e sua grande intérprete Carmen Miranda, mortes que o deixam abalado   1957 Sai o terceiro LP, Caymmi e o Mar, que incluía História de Pescadores, uma suíte de canções praieiras.   Faz enorme sucesso com Saudade da Bahia, que teve outras sete gravações além da dele só naquele ano e mais quatro no ano seguinte   1958 Sempre pela Odeon, tem mais dois LPs na praça, Maracangalha e Ary Caymmi - Dorival Barroso, em que um interpreta composições do outro   1959 Com direção artística de Aloysio de Oliveira, sai um de seus mais importantes álbuns, a obra-prima Caymmi e Seu Violão   João Gilberto, outro de seus melhores intérpretes, lança o histórico LP Chega da Saudade, pedra fundamental da bossa nova, em que regrava sua Rosa Morena   1960 O álbum Eu Não Tenho Onde Morar, traz o histórico dueto de Caymmi com a filha Nana em Acalanto, que compôs para niná-la quando ela nasceu. É a estréia da cantora em disco   1962 Nasce a primeira neta, Stella, filha de Nana e do médico venezuelano Gilberto José Aponte Paol   1965 O cantor popular Andy Williams grava And Roses and Roses, versão em inglês de ...Das Rosas, e o convida a participar de seu programa de tevê em Los Angeles   Sai nos Estados Unidos o álbum Caymmi, com o Quarteto em Cy, aproveitando a repercussão do baiano entre os americanos   Ao lado de Aloysio de Oliveira, Norma Bengell, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Caymmi reencontra Walt Disney na Disneylândia   1966 Sofre uma grave crise de hipertensão e é internado. Pára de beber e passa a ter hábitos mais saudáveis   1967 Caymmi reencontra o Quarteto em Cy com Vinicius de Moraes e o conjunto de Oscar Castro Neves no LP Vinicius/Caymmi no Zum Zum (Elenco), reprodução em estúdio do show que fora sucesso nos verões de 1964 e 1965. O poeta carioca saúda o parceiro com estes versos de improviso: 'Ouçam como é lindo ele cantar sua poesia/ Que melancolia/ Ai, que saudade eu tenho da Bahia'   1968 Em meio à polêmica sobre a introdução de guitarras elétricas na música popular, apóia o uso dela pelos tropicalistas, entre eles seus conterrâneos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé   1972 Lança o LP Caymmi (Odeon), com várias canções inéditas, entre elas Morena do Mar, Eu Cheguei Lá e Oração de Mãe Menininha, que se tornou um grande sucesso   1973 Na falta de repertório novo, gravou Caymmi Também É de Rancho, último LP do contrato com a Odeon, considerado o maior equívoco de sua carreira   1974 No ano em que entra na casa dos 60, tem sua atividade de pintor submetida à crítica. Millôr Fernandes considera seus quadros como "um dia de descanso"   1975 Gal Costa grava Modinha para Gabriela, que faz sucesso como tema de abertura da novela Gabriela, de Walter George Durst   1976 Sai o antológico álbum Gal Canta Caymmi. Os dois fazem shows juntos, com direção musical de João Donato   1980 A convite de Chico Buarque, viaja a Angola para divulgar a música brasileira em shows do Projeto Kalunga, ao lado de Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Djavan, Elba Ramalho, Miúcha, Martinho da Vila e outros   1984 Comemora os 70 com show ao lado dos filhos e de Stella Maris, na inauguração do Shopping Iguatemi de Salvador, que o homenageia com um busto de bronze feito pelo escultor Bruno Giorgi para a praça que leva seu nome   A Funarte lança em LP duplo a íntegra do show que Caymmi fizera no Teatro Castro Alves em 1979, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho   Lança um álbum de gravuras retratando cenas de suas canções. Expõe seus desenhos na Funarte do Rio Ao lado de Fernanda Montenegro, recebe do presidente João Figueiredo e do ministro Carlos Coqueijo, seu amigo, o título de Comendador da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho   1986 Desfila no Sambódromo carioca como destaque da escola de samba Mangueira, que ganha o carnaval com o enredo Caymmi Mostra o Mundo Que a Bahia e a Mangueira Têm   1987 Junta-se aos filhos para um show de grande sucesso que corre o País e vira disco ao vivo   1988 Nasce Marina, sua primeira bisneta, filha da neta Denise   1991 Pai e filhos vão ao Festival Internacional de Jazz de Montreux, na Suíça, e lançam outro disco ao vivo   1993 O antropólogo Antônio Risério publica um importante ensaio, Caymmi: Uma Utopia de Lugar, pela Editora Perspectiva   A TV Bandeirantes promove um encontro antológico entre Caymmi e Chico Buarque para um programa especial de fim de ano. Ambos de calças brancas e camisetas listradas, se divertem cantando Maricotinha e A Vizinha do Lado, na Praia do Vidigal, no Rio   1994 Entre as muitas homenagens por seus 80 anos, Almir Chediak lança o songbook Dorival Caymmi, com dois livros reunindo 99 partituras e letras e quatro CDs com suas músicas interpretadas por gente como Chico Buarque, Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Ney Matogrosso, Tim Maia   A morte de Tom Jobim, no dia 8 de dezembro, o deixa tão emocionalmente abalado que não tem condições de ir ao velório nem ao enterro. "Nossa relação era um caso de amor", declara Caymmi   1999 Termina o samba Falou com a Moça?, que começou a compor em 1930   2000 A EMI lança a caixa Caymmi Amor e Mar, com 7 CDs contendo 12 LPs originais do compositor.   2008 Dorival Caymmi morre em casa cercado pelos filhos   * fontes: Dorival Caymmi, o Mar e o Tempo (Editora 34), de Stella Caymmi, e Enciclopédia da Música Brasileira (Art Editora/Itaú Cultural)

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