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Veiga & Salazar rompe hiato de oito anos e prepara álbum

Duo é uma das atrações do festival Lollapalooza, que acontece no Jockey Club, em abril, em São Paulo

Emanuel Bomfim, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 23h53

Refinar a levada do rap com uma cama sonora nada óbvia já era lema da dupla Veiga & Salazar muito antes do Criolo virar cantor de MPB. Essencialmente variado e elegante, o som dos rapazes recebeu todo tipo de classificação quando eles surgiram, de pop contemporâneo ao esdrúxulo termo ‘hip hop bossa‘n’soul’. Fato é que esta fusão polirrítmica se estendeu por apenas dois discos, no curto espaço de quatro anos, entre Original (2000) e Ontem Já Era (2004). Desde então, reavivá-los na memória virou devoção de fã ou de sortudos surpreendidos por um show qualquer.

"A gente nunca quis parar de verdade", explica Veiga, a metade brasileira do duo. Seu companheiro de estrada, o argentino Salazar, é mais específico. Revela, sem mágoas, que sair de cena foi culpa de uma extenuante turnê ao lado do rapper norte-americano Guru, do projeto Jazzmatazz. "A gente fechou para balanço, para botar as coisas em ordem. Foi meio estressante", desabafa o saxofonista e DJ.

O notado sumiço nestes últimos anos ganhou ares de redenção em 2012. Além de prepararem novo álbum de estúdio, com lançamento previsto para o 2º semestre, eles foram convidados para tocar no festival Lollapalooza, que irá ocorrer em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril.

"Nos deram só uma hora de show", brinca Salazar, antes de enumerar os inúmeros atrativos pensados para o dia. "Vamos tocar músicas dos discos antigos, algumas inéditas, e teremos quatro participações de peso: Nathy MC, Shawn Lucas, Xis e o Dexter. Será uma conjunção de estilos no palco", completa. A banda ainda terá a companhia de um naipe de metais, com trombone, trompete e saxofone. "Se chover, a gente vai se dar bem", se diverte Veiga, já que a dupla está escalada para se apresentar numa tenda que oferece cobertura ao público no Jockey Club.

Quem não tiver ingresso não deverá ficar carente de imagens do show. Por onde anda, Veiga carrega uma câmera para registrar o dia a dia da banda. Posta tudo no YouTube, configurando um verdadeiro reality show. Bastidores, ensaios e amostras do futuro trabalho, tudo vira motivo para mostrar os preparativos da dupla para o Lollapalooza. Até esta entrevista ao Estado virou tema de uma das produções. "É uma oportunidade do fã e da galera que não conhece a gente entender o que é o Veiga & Salazar", define o MC.

Mais orgânico, menos digital. Extrovertido, o duo pouco se assemelha a pose invocada de boa parte dos rappers. O discurso amigável reflete em grande parte a preocupação por um som orgânico e sofisticado, de base tocada com instrumentos e com pouca utilização de samplers. "A gente sempre achou que o que fazemos é música. Tem umas bossas, tem jazz, mas não é só hip hop ou rap", defende a dupla, uma das pioneiras no Brasil ao mesclar a língua portuguesa com a espanhola.

Inundados pelo groove da escola setentista da música negra, eles veem com bons olhos a nova explosão do rap nacional, cada vez mais preocupado com uma narrativa dançante e menos politizada. "Realmente o hip hop por aqui está se tornado um estilo musical, mais do que uma filosofia como era antes. Os próprios MCs estão adquirindo a consciência de que não adianta só ter ótimas ideias e rimar, senão tiver por trás uma música que dê satisfação ao ouvir."

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