Patricia Cruz/Estadão
Patricia Cruz/Estadão

'Agora vão poder nos conhecer individualmente', diz Banda Uó sobre pausa

Trio goiano relembra a carreira e fala sobre a nova música, 'Tô na Rua', e os planos de carreira solo com a pausa do grupo

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

02 Dezembro 2017 | 17h00

Já se vão sete anos desde que três jovens goianos começaram a conquistar fãs com o estilo exagerado, cheio de humor e com músicas que misturam tecnobrega com indie e pop. Depois de dois discos lançados, porém, a Banda Uó vai dar uma pausa, não sem antes entregar, como um presente para os fãs, um último single, Tô na Rua.

“É uma música que a gente já estava trabalhando antes da decisão”, explicam ao Estado os integrantes Davi Sabbag, Matheus Carrilho e Mel Gonçalves. “Tem uma pegada diferente, não tem tanto humor. Ainda assim dá para ver a raiz da Banda Uó ali.” A música vai ser lançada com um videoclipe “volta às origens” nesta terça-feira, 5. 

A pausa, ao contrário do que fãs especulam, não tem a ver com brigas, é apenas o desejo de mudança pessoal. “O grupo tem uma proposta fechada, de ser divertido, e isso nos limita artisticamente”, explica Davi. “As pessoas agora vão poder nos conhecer individualmente. Não devem ficar tristes, estão ganhando três novas carreiras. E se a gente quiser voltar amanhã, vamos voltar”, completa Matheus. “Tempo de cada um experimentar o que gosta”, diz Mel. 

Os três se conheceram na noite goiana. Matheus e Davi chegaram a namorar brevemente e foi do relacionamento, que terminou antes mesmo do lançamento de Shake de Amor, que surgiu a ideia para o projeto. Depois de um vídeo publicado no YouTube, eles resolveram completar o grupo com Mel. “A gente achou que como uma dupla masculina o projeto não vingaria.” Fizeram um EP de versões, com músicas que iam de Katy Perry a The Killers em versão tecnobrega, e lançaram dois discos, Motel (2012) e Veneno (2015). 

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Com o sucesso, o grupo conquistou - mesmo sem a pretensão de ser - o status de ícone LGBT. Isso, numa época ainda sem nomes como Pabllo Vittar ou Liniker, foi uma barreira nos meios de comunicação, afirmam. “Na época não era como hoje, a discussão sobre empoderamento não estava em alta. As pessoas não sabiam o que a gente era”, dizem os meninos. “Mas acabamos sendo precursores”, completa Mel, que é transexual. “As Bahias (e a Cozinha Mineira), Pabllo, Lia Clark, todo mundo que está nesse cenário agora, eram nossos fãs. Somos uma espécie de vanguarda.”

Com o estilo específico, com humor nas letras, a Banda Uó só chegou ao público geral com o segundo álbum e com o single Catraca, trilha da novela I Love Paraisópolis. “Sempre quisemos algo diferente e temos bom senso para isso (o humor). Há uma linha tênue entre fazer música divertida e paródia de programa de humor”, diz Davi. “A Banda Uó tem uma cara mais pop, mas sempre foi indie, no sentido de que pertencia a um lugar diferente. Fala de amor, mas com um pouco de sacanagem.”

Agora os três se preparam para seguir carreira solo, o que não impede de um ajudar o outro. “A Banda Uó é um grupo criativo, porém, agora, é cada um por si. Mas a gente continua se ajudando.” Matheus, que faz sucesso com Corpo Sensual, dueto com Pabllo Vittar, já prepara um EP - e uma das músicas será produzida por Davi, que também já planeja seu material. Mel também vai continuar na música e vai para a terceira temporada do programa Estação Plural, na TV Brasil. “A gente vai ser o Los Hermanos, quando as pessoas pedirem a gente volta e faz um show”, brinca a cantora.

Além de lançar o clipe de Tô na Rua no YouTube, nesta terça-feira, a Banda Uó vai divulgar a música também nas plataformas de streaming na sexta, 8. Na quarta, o grupo é a atração convidada para o programa Estadão + Música. O bate-papo será transmitido ao vivo, a partir das 15h, na página do Cultura Estadão no Facebook.

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