Vanzolini reencontra o público carioca

O compositor Paulo Vanzolini é figura difícil na noite carioca. Por isso, o show em sua homenagem, que ocorre hoje Teatro Clara Nunes, é rara oportunidade de vê-lo cantando, contando casos sobre seus sucessos e outras músicas pouco conhecidas - mas muito amadas - e se divertindo com os amigos que estarão com ele no palco: os cantores e compositores Elton Medeiros e Carlinhos Vergueiro e as cantoras Ana de Hollanda e Ana Bernardo, acompanhados pelo grupo Galo Preto. A última vez em que ele cantou no Rio foi nos anos 70, num show beneficente na Associação Brasileira de Imprensas (ABI), ao lado de Adoniran Barbosa.O show de hoje aproveita o aniversário de Vanzolini - ele fez 79 anos na sexta-feira - para lançar aqui a caixa de discos Acerto de Contas, que saiu pela Biscoito Fino no início do ano. Houve um outro show em São Paulo, reunindo o mesmo elenco do Rio. A caixa tem quatro CDs e 52 músicas na voz de uma constelação de amigos do compositor. Tem os hits dele, Ronda, Boca da Noite (com Márcia) e Volta por cima (com Ventura Ramirez), músicas um pouco menos conhecidos, como Praça Clóvis (com Ana Bernardo), Samba Erudito (com Miúcha) ou Chorava no meio da Rua (com Virgínia Rosa), e aquelas que ele apenas letrou (Pedacinhos do Céu, choro de Waldir Azevedo que Ana Bernardo canta) ou recolheu do folclore (Cuitelinho, cantado por Maria Marta). Há ainda 12 inéditas, todas com arranjos acústicos, para enfatizar a delicadeza das letras e melodias."Pedacinho do Céu é minha melhor letra, mas minha música preferida, O Rato Roeu a Roupa do Rei, ficou fora porque era um plágio do samba Camisa Listrada. E eu nem tinha notado, o produtor é que percebeu quando eu mostrei", conta Vanzolini, dando uma amostra de seu jeito. "O problema é que não sou músico, não presto atenção nisso, e devo ter copiado uma música que ficou na minha cabeça. Mas não podia gravá-la."Vanzolini prefere declarar sua outra profissão, zoólogo especialista em répteis, na qual é tão ou mais prestigiado quanto na música. Como cientista, ele veio ao Rio incontáveis vezes nas últimas três décadas, para trocar figurinhas com seus colegas do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. "Somos uma verdadeira máfia", brinca. Foi também nessa condição que ele percorreu e, junto com amostras de nossa fauna, recolheu histórias e canções. Ele vai contar algumas delas hoje à noite e pretende cantar algumas músicas, mas prefere não criar expectativas. "Vai depender da vontade da hora", avisa. "Estarei lá no palco tomando umas cervejas, revendo os amigos e ouvindo-os cantar muito melhor do que eu o faria."

Agencia Estado,

30 de abril de 2003 | 12h11

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