Vanessa da Matta, nem tão romântica assim

Essa Boneca Tem Manual (Sony Music) é o segundo CD de Vanessa da Mata, com muito do mundo dos cafés que freqüenta, observando o comportamento humano e transformando em música. "Venho de uma cidade do interior, que é uma sociedade dividida, quase uma novela. Tem a fofoqueira, a adúltera, a prostituta, o marido santo, o safado, o coronel que manda, o reprimido, o que procura o poder. Isso é legal porque você começa a estudar mesmo o ser humano", ressalta Vanessa. A faixa-título, um samba-rock em que usa falsete, debochada, é sobre um homem falando de uma mulher e ela pensando em outro. A maior parte de suas letras trata de relacionamentos amorosos, mas quase sempre com uma ponta de ironia. Em Não Chore, Homem ela diz coisas como: "Alguém que nem você eu não preciso/ O resultado disso é solidão" e "Eu vou tentar ser bem mais competente/ Na escolha da próxima paixão". Em Música, balada folk meio lamento, sobe o tom agudo e nasalado em versos como: "Se voltar desejos/ Ou se eles foram mesmo/ Lembre da nossa música". O CD tem dez canções inéditas de sua autoria, metade em parceria com o produtor Liminha, e duas regravações: Eu Sou Neguinha? (Caetano Veloso) e História de uma Gata (Chico Buarque/Bacalov/Bardotti). Reverência aos medalhões? "Nada disso. Eles nem fazem parte da minha formação. Cresci ouvindo Luiz Gonzaga, Pinduca, pop internacional. Tenho pele branca, traços negros, cabelo pixaim. Nem me acho neguinha, mas acho bom poder dizer isso. E com a História de uma Gata eu me identifico com a personagem que quer ser livre. Isso marcou minha adolescência." Já a compararam a Gal Costa, Maria Bethânia, até Baby Consuelo, Nara Leão e Marisa Monte. No palco, domina a cena com a força de uma Clara Nunes. Para quem quiser conferir, ela aporta no Directv Music Hall nos dias 4 e 5 de novembro, onde grava o primeiro DVD.

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