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Usando talentos ainda desconhecidos como 'ponte', Rudimental decola

Quarteto de música eletrônica tornou-se um curioso fenômeno na música britânica

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2014 | 03h00

Com apenas um disco, lançado em agosto do ano passado, o quarteto de música eletrônica Rudimental conseguiu tornar-se um curioso fenômeno na música britânica. Home, seu álbum inaugural, está indicado para três prêmios no Brit Awards (melhor álbum, melhor grupo britânico e melhor single), concorrendo com nomes como Arctic Monkeys, Bastille e One Direction. Estão no topo das paradas atualmente com Waiting All Night, fusão de soul com o velho drum’n’bass.

O curioso é que o Rudimental se insere numa onda de surfar ao mesmo tempo em que revela novos cantores, o chamado “feature” (ou convidado, fenômeno que tem engajado outros coletivos, como o Naughty Boy e o Disclosure). Seu disco trouxe à tona cantores que agora já desfrutam de grande prestígio entre as revelações da música europeia, como John Newton, Mnek, Syron, Sinead Harnett e a jovem Ella Eyre (de apenas 19 anos). Newton, que notabilizou um hit do Rudimental, Feel the Love, até já disputa um Brit Award.

Formado por Piers Aggett (tecladista), Kesi Dryden (tecladista e percussionista), Leon Rolle (DJ) e pelo produtor Amir Amor (guitarra e teclados), a banda emergiu da cena underground do garage, grime, dubstep e do velho drum’n’bass. Já tinha 6 anos de estrada antes de explodir no ano passado. “Fazíamos shows em menor escala, em locais pequenos, e ao mesmo tempo todos nós continuávamos atuando como DJs. Mas queríamos fazer algo orgânico, com uma fusão da performance ao vivo com o eletrônico. A gente já se divertia, mas também estávamos buscando uma nova direção, a música eletrônica estava tão massiva, tudo parecia a mesma coisa”, disse, em entrevista ao Estado[D], o produtor Amir Amor.

Amor (codinome de Amir Izadkhah) é um dos mais badalados produtores da nova geração britânica (entrou da lista dos 20 mais destacados da publicação NME), tendo trabalhado com Maxïmo Park, Plan B, Yuk e outros. Também mantém um estúdio de ponta, o Major Toms. “É muito divertido ajudar a desenvolver novas carreiras. Pegar um talento ainda cru e fresco e vê-lo se tornando grande. Todos esses novos cantores com quem trabalhamos no disco, eles já eram bons, embora desconhecidos. Não os inventamos. Temos grande orgulho de todos esses caras, de seu sucesso”, disse Amor. Segundo ele analisou, em reportagem do Guardian, o fenômeno dos “features” na música tem uma explicação simples: primeiro, porque quase não há mais gravadoras e dinheiro, e assinar com um artista significava investir muito num disco inteiro – o risco é muito menor quando se coloca um novo artista no disco de alguém que já tem algum nome.

Amir Amor concorda que o negócio de usar convidados para projetar um conceito não é novo, que bandas como Massive Attack, Soul II Soul, Incognito e outras já faziam isso desde os anos 1990. A colaboração é boa para os dois lados: a banda consagrada produz um álbum bastante diversificado e o artista jovem o usa como catapulta. “Mas não convém fazer muito feature, senão acaba se tornando um cantor de sessão”, advertiu John Newman.

Após o sucesso como convidado em uma faixa do disco como o do Rudimental, chove oferta na horta do iniciante. Claro que também pode não acontecer nada, mas a visibilidade é garantida. “Acho que é sempre bom ter um currículo e eu tenho um agora”, disse a cantora Foxes (codinome de Louisa Allen, que apareceu no single Right Here, outro sucesso do Rudimental).

“Nós temos grande influência do Massive Attack, é nosso modelo favorito. A forma como fundiram soul e funk tocando instrumentos ao vivo, a visibilidade que deram ao hip hop e ao grime, tudo em prol de uma abordagem dance, tudo isso é algo que nos orienta muito. Também adoro Basement Jaxx”, afirmou Amor. “Eu curti muito Goldie and Metalheadz e aquela era do jungle. Mas nunca nos definimos como drum’n’bass. Fazemos soul e dance music. O Rudimental é fruto da construção que se iniciou naquela era de dance music.”

O nome do seu grupo, Rudimental, explica Amor, veio de um livro de aulas de piano que seu colega Kesi Dryden usava quando adolescente. “Tem a ver com isso, com o ideal de pureza, mas também com nascimento, com as conotações de crescer artisticamente”, contou.

O Rudimental começou a fazer seu nome em apresentações de seus singles em programas como o Jools Holland ou na BBC Radio 1. Feel the Love e Spoons foram os primeiros grandes sucessos. Como produtor, Amir Amor tem um pé na velha escola. Instado a escolher entre Lady Gaga, Beyoncé ou Madonna para produzir uma faixa, ele hesitou. Depois, respondeu: “Madonna. Mas a Madonna dos primeiros anos, quando ela era mais divertida”.

 

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