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Unesco classifica manuscritos de Ernesto Nazareth como patrimônio cultural da humanidade

Decisão coloca obra do compositor brasileiro ao lado de criações como a 'Nona Sinfonia' de Beethoven e a 'Bíblia' de Gutenberg

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2014 | 18h51

Os manuscritos de Ernesto Nazareth agora são patrimônio cultural da humanidade, integrando a categoria Memória do Mundo, da Unesco, à qual pertencem documentos raros e de grande importância, como a Bíblia de Gutenberg, a Nona Sinfonia de Beethoven, as partituras de Brahms e os textos filosóficos de Rousseau, além de outros manuscritos, negativos de filmes e registros discográficos históricos, totalizando 300 itens essenciais da produção cultural do mundo.

Os manuscritos já estão disponíveis em alta resolução no site da Biblioteca Nacional Digital. Além deles, o site Nazareth 150 anos, desenvolvido pelo Instituto Moreira Salles (IMS), traz a esperada pesquisa biográfica desenvolvida pelo especialista Luiz Antonio de Almeida, que passou 38 anos estudando a vida de Nazareth. Nos anos 1980, ele se aproximou de dois parentes do músico, tornando-se herdeiro do seu acervo, aos cuidados do IMS desde 2005.

O instituto promoveu uma ampla programação no ano passado para comemorar os 150 anos de nascimento de Ernesto Nazareth e realiza, na quinta-feira, no Rio, o evento Ernesto Nazareth 150+ 1, que inclui uma roda de choro nos jardins do IMS. O encontro musical faz uso de peças do repertório das 120 primeiras composições já catalogadas em seu site e disponíveis em dois volumes para download (o compositor deixou mais de 200 músicas). Ainda no dia 20 será lançada com exclusividade nesse mesmo site a citada biografia de Luiz Antonio de Almeida, que tem mais de 400 páginas e está editada de forma a facilitar a leitura por tópicos.

Outra novidade disponível a partir de quinta, no site do IMS, é a hemeroteca com 100 recortes de textos jornalísticos publicados até 1943, que inclui material da coleção particular do compositor, mantida pelo instituto, e a hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. Entre os textos raros está uma reportagem sobre sua passagem pelo Teatro Municipal de São Paulo, em 1926, apresentado pelo escritor e também músico Mario de Andrade, um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna. O site do IMs também publica agora o segundo volume das adaptações em formato de melodia e cifra de mais de 60 peças musicais de Nazareth.

Ernesto Nazareth foi um dos mais originais compositores brasileiros, nascido em 1863, no Rio. Filho de um despachante aduaneiro e de uma pianista amadora, começou a aprender música com a mãe, aos três anos. Após sua morte, o pai o proibiu de tocar, mas, escondido dele, continuou seus estudos e compôs sua primeira música aos 14 anos, a polca-lundu Você Bem Sabe. Foi em 1909 que Nazareth compôs seu maior sucesso, Odeon, cujo título faz referência ao cinema no qual Nazareth ganhava a vida acompanhando os filmes mudos lá exibidos. Ele morreu em 1934, afogado na represa próxima à Colônia Juliano Moreira, para tratamento de doentes mentais. 

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