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'Uma mensagem de amor...'

Tentei evitar o óbvio. Mas o amor venceu. Nesta semana, eu escrevo sobre este sentimento tão desejado: o amor e a música

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2017 | 03h00

Tentei evitar o óbvio. Mas o amor venceu. Nesta semana, eu escrevo sobre este sentimento tão desejado: o amor e a música. Na minha época (olha que coisa!, já comecei a escrever “na minha época”), eu gravava fitas K7 com músicas para o garoto que estava interessada. Não falava nada, só flertava com uma seleção musical toda pensada para ele. Depois mudei para CD, gravava um a cada paixão. Não sei quantos corações conquistei, mas achei minha profissão, hoje trabalho em rádio e faço seleções musicais todos os dias. Na busca por um grande amor, eu achei uma grande paixão. E, sim, isso também tem que ser comemorado. Eu sei, é uma data comercial, eu sei, é clichê, eu sei...

O amor e a música, ó dupla inseparável. Quantos discos lindos não resultam de um coração partido? Tem até artista que busca o sofrimento para criar. Vai de relacionamento/roubada em relacionamento/roubada e a cada coração partido uma nova canção. Isso do lado do artista. 

E do nosso lado, ouvintes? Ahhhhh prezadíssimos ouvintes. Me lembro que uma vez terminei um namoro e não conseguia ouvir música nenhuma sem chorar. Fugia de todas as canções. Em momentos como esses é que você percebe que a música está em todo lugar. E não tem como evitar. Se você está na rua e toca uma música, você pode sair de perto, desligar o rádio, mas evitar de ouvir é impossível. 

E, do nada, começa a chorar na espera do dentista quando Caetano começa a cantar “E agora, que faço eu da vida sem você, você não me ensinou a te esquecer, você só me ensinou a te querer e te querendo eu vou tentando me encontrar”. 

E, de repente, quando passa a fase mais crítica, aí vem aquela seleção musical feita especialmente para a dor, que vira em um certo momento a paixão, o foco central, objeto de todos os papos e todos os sons. Por favor, não me julguem, mas eu já berrei “Amaldiçoei o dia em que te conheci, com muitos brilhos me vesti, depois me pintei, me pintei, me pintei”, seguida de “Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido, palavras de amor como eu falei, mas eu duvido! Duvido que ele tenha tanto amor e até os erros do meu português ruim, e nessa hora você vai lembrar de mim” e, claro, não deixei faltar o rei da dor de cotovelo Lupicínio Rodrigues “Agora você vai ouvir aquilo que merece, as coisas ficam muito boas quando a gente esquece, mas acontece que eu não esqueci a sua covardia e a sua ingratidão”. 

E depois vem “Reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, pro mesmo amor que antes era lembrado por “Exagerado, jogado aos teus pés, eu sou mesmo exagerado”.

Não importa o momento do amor. O que importa é que sempre tem uma trilha sonora. A gente olha de longe, começa a papear, se apaixona, namora, casa, separa, nunca mais fala, não é correspondido, é traído... e todas as variáveis, mas, quando toca aquela música, o momento logo volta, superado ou não, você sorri ou chora e pensa no que viveu. E, para mim, isso é o amor, a música. 

Música da semana - Eu te amo você

Versão da Mariana Aydar para o programa da Sarah Oliveira no YouTube, 'O Nosso Amor a Gente Inventa'. “É engraçado, porque eu já tinha pensado em cantar Marina Lima muitas vezes, mas sempre foi um tabu. Porque tudo o que a Marina canta é muito ela, mesmo quando as composições não são dela. Além disso, eu sou muito fã”, disse Mariana. 

 

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