Uma década sem Michael Hutchence

O vocalista do grupo australiano INXS foi encontrado morto em uma suíte de hotel em Sydney

Emerson Lopes,

22 de novembro de 2007 | 05h05

Há dez anos, no dia 22 de novembro de 1997, o cantor Michael Hutchence era encontrado morto na suíte 524 do hotel Ritz-Carlton, em Sydney, na Austrália, estrangulado com um cinto em volta do pescoço. A causa oficial foi suicídio, mas amigos mais próximos do ex-vocalista do grupo australiano INXS não acreditam que ele tenha se matado. Muito se falou sobre as causas da morte do Hutchence, com apenas 37 anos de idade. Entre as versões mais esdrúxulas está um suposto ritual sexual, mas a descoberta de um frasco do antidepressivo Prozac na suíte onde o cantor morreu é considerado um fato relevante pela polícia, que acredita no suicídio. Segundo Patricia Glassop, mãe do cantor, a culpada pela morte do filho foi a namorada, a inglesa Paula Yates. A vida do líder do INXS começou a mudar quando conheceu a apresentadora de TV Paula Yates, em 1995. Na ocasião, Paula era casada com o roqueiro Bob Geldof e tinha três filhas. Apesar da vida aparentemente estável, ela largou tudo para ficar com Hutchence. O casal teve uma filha, Tiger Lily, que hoje tem 11 anos. Muito se falou da atitude agressiva e obsessiva de Geldof para ficar com a custódia da filhas após a separação. Na época da morte do cantor, uma das causas apontadas para a depressão de Hutchence era a difícil relação que ele acompanhava de perto entre sua mulher e o ex-marido. A morte de Hutchence nunca foi bem digerida por Paula, que foi encontrada morta três anos depois, vítima de overdose de heroína. A filha do casal vive em Londres com Geldof, que a adotou e a mantém longe da avó paterna, que mora na Austrália. Atualmente, a mãe de Hutchence briga na justiça pela guarda da neta e o direito de vê-la sem monitoramento. Já Geldof entrou com um pedido de adoção legal da menina, que assim perderia o sobrenome do pai e ganharia o seu.  Na estrada com o INXS  A vida pessoal de Michael Hutchence sempre foi manchete nas revistas, mas sua carreira com o INXS seguiu em frente. Criado em 1977 pelos irmãos Jon, Andrews e Tm Farris, o grupo só consegue reconhecimento fora da Austrália com o single "The Original Sin", do quatro disco.  Com o lançamento do álbum Listen like Thieves, de 1985, o INXS emplaca as canções "What You Need" e "This Time" e prepara o terreno para o próximo trabalho, Kick, que vendeu cerca de 13 milhões de cópias e colocou o grupo no patamar de bandas como o U2. Deste disco, músicas como "Mystify", "New Sensation" e "Need You Tonight" invadiram as rádios em todo o mundo, com uma boa ajuda dos respectivos clipes que tocavam diariamente na programação da MTV. Deste mesmo álbum, a balada "Never Tear Us Apart" torna-se o maior sucesso da carreira do grupo e eleva Hutchence a símbolo sexual. Em 1990, o banda lança X e mais uma vez conquista o público com hits como "Suicide Blonde", "Disappear", "Bitter Tears" e "By My Side". Um ano depois, o grupo se apresenta pela primeira vez no Brasil, na segunda edição do Rock In Rio, no estádio do Maracanã. Em 1992, um novo álbum com músicas inéditas é lançado, Welcome To Wherever You Are consegue emplacar as canções "Baby Don´t Cry" e "Beautiful Girl".  Com a explosão do movimento grunge, no início dos anos 90, o INXS não conseguiu mais encontrar espaço nas paradas e o álbum Full Moon, Dirty Hearts, de 1993, é praticamente ignorado pela crítica. Após quatro anos no limbo, o grupo lança Elegantly Wasted e aposta em uma retomada. Mas com a morte inesperada de Hutchence, o INXS não tinha outra coisa a fazer a não ser deixar a cena musical. Depois de quase uma década de silêncio, o grupo reapareceu em 2005 com o disco Switch. No lugar de Hutchence, o canadense J.D. Fortune assume os vocais, depois de vencer o reality show Rock Star, que tinha como objetivo encontrar um novo vocalista para a banda. Para a surpresa dos fãs, Fortune conseguiu se adaptar bem e o grupo já prepara um novo disco para 2008. Paralelamente ao INXS, Hutchence gravou dois discos solos, Max Q (1989) e Let Me Show You (99), lançado após sua morte.  Vida depois da morte Apesar de ter deixado milhares de fãs órfãos, o culto a Michael Hutchence não aconteceu de forma exacerbada. Tanto a família quanto o grupo não quiseram faturar sobre a tragédia e pouco material foi lançado após sua morte. As exceções são os livros The Final Days of Michael Hutchence, do escritor Mike Gee, que tenta "explicar" as possíveis causas da morte e conta a história de sucesso do cantor à frente do INXS, e INXS: Story to Story, uma biografia autorizada, com as bençãos dos músicos remanescentes do grupo. Em DVD, além dos vídeos oficiais como Live Baby Live, gravado ao vivo no estádio de Wembley, e The Video Hits Collection, com a videografia da banda, foi lançado também The Loved One, um documentário sobre o cantor com depoimentos do pai de Hutchence e cenas caseiras. Um filme sobre a vida do ex-vocalista do INXS também está previsto para acontecer, mas ainda não há data para o início das filmagens. No ano passado, foi noticiado que o Johnny Depp (Piratas do Caribe), Hayden Christensen (Guerra nas Estrelas) e Eric Bana (Hulk) estavam no páreo para protagonizar a produção. O diretor será Nick Egan, que já dirigiu clipes do Duran Duran, Oasis e do próprio INXS.

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