Steve Forrest/The New York Times
Steve Forrest/The New York Times

Um presente de ano novo de Brian Eno: um jardim musical em crescimento

Com novo álbum, 'Reflection', e aplicativo criado, compositor inglês faz sua tentativa mais ousada até agora de criar o que ele descreveu como uma terceira categoria de música, a generativa

Randy Kennedy, The New York Times

03 Janeiro 2017 | 10h31

O compositor e pioneiro da música ambiente (ambient music) Brian Eno uma vez escreveu que considera possível que "nossos netos nos olhem e pensem: 'Quer dizer que você costumava ouvir exatamente a mesma coisa várias vezes seguidas?'".

Com seu mais novo álbum, Reflection, lançado no domingo, 1º, seu sétimo disco em sete anos, Eno está na sua tentativa mais ousada até agora de criar o que ele descreveu como uma terceira categoria de música, a generativa, para se juntar às duas que conhecemos -- ao vivo e gravada. Usando algoritmos e uma tecnologia portátil cada vez mais poderosa, a música generativa, segundo ele, vai permitir que ouvintes escutem canções que se recriam novamente todo dia, ou noite, mudando de acordo com o tempo, o humor, o clima e outras variáveis.

A versão tradicional de Reflection é uma canção única de 54 minutos, parecida com o que Eno vem fazendo desde o fim dos anos 1970, e usa passagens meditativas em looping que mudam com variações lentas. Mas um aplicativo do projeto, disponível no iTunes, cria o que Eno chama de "uma versão sem fim e continuamente em mutação da peça de música", tocando a partir dos algoritmos que ele afinou enquanto escutava semanas da música que o sistema criou. "É como jardinagem", Eno escreveu sobre o processo no material promocional do projeto, que ele realizou com a ajuda de Peter Chilvers, um colaborador de longa data. "Você planta as sementes e então segue tomando conta delas até que tem um jardim de que goste."

Eno, como um futurista, tem frequentemente acompanhado sua música com pronunciamentos políticos. Com o lançamento do novo álbum, ele postou seu pensamentos sobre o fim de 2016 num post muito compartilhado no Facebook. Nele, teorizou sobre como os desenvolvimentos políticos tumultuados do ano passado podem não marcar o começo de um período de declínio, mas o fim de um período que ele acredita que esteja acontecendo por 40 anos, marcado pela concentração de riqueza e pelo crescimento da ideologia que "zombou da generosidade social e patrocinou um tipo de egoísmo justificado".

"No ano passado as pessoas começaram a acordar para isso", Eno escreveu, acrescentando: "Acho que passamos por uma desilusão em massa em 2016, e finalmente percebemos que é tempo de pular fora da caçarola. Isso é o começo de algo grande. Vai envolver engajamento: não apenas tuítes, curtidas e passadas, mas ação política e social criativa, também." / Tradução Guilherme Sobota - O Estado de S. Paulo

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