Um karaokê de extrema dignidade

Gilberto Gil pôs seu pescoço a prêmio com Kaya n´Gan Daya(Warner Music, preço médio de R$ 30,00). Ao fazer um disco com amáxima fidelidade às gravações de Marley, poupou indisposiçõescom os fanáticos do rastaman. Mas arriscou-se a um xeque-matecrítico: se você tem os discos de Marley, por que deixar deouvi-los para ouvir algo muito parecido, quase um karaokêregueiro?A resposta está soprando com o vento, como diria Dylan. Gilgravou, ao longo da carreira, versões e homenagens muitobem-sucedidas de clássicos do reggae, como No Woman No Cry(presente neste disco, com a presença de Herbert Vianna e osParalamas do Sucesso) e Extra. Mas, provavelmente, achou queseria um certo exagero fazer 16 versões para standards, epromoveu um mix dessas duas possibilidades.Sua inspiração não é menor neste karaokê de extrema dignidade ecompetência. E há um elemento extra que os distingue e permeiatudo: Gil relê a Jamaica com um filtro baiano. Ele mesmo, no DVD, explica a diferença: tudo é muito parecido, o ritmo social, amúsica festiva, a negritude. Mas os jamaicanos são mais"austeros".Kaya n´Gan Daya está livre de qualquer austeridade, epermite-se brincar como uma ponte cultural entre Bahia eJamaica. É muito Marley, mas é muito mais Gil.

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