Um dia terei que acertar contas com o diabo, diz Mick Jagger

Em entrevista, líder dos Rolling Stones admite ter medo do dia em que já não for capaz de subir em um palco

Efe,

14 de março de 2008 | 12h42

O cantor Mick Jagger, líder dos Rolling Stones, declarou, em entrevista publicada na última edição da revista Playboy alemã, que não consegue viver sem as turnês da banda e admite ter medo do dia em que já não for capaz de subir em um palco, apesar de ter a intenção de se apresentar ao vivo até sua morte.   "Um dia terei que acertar minhas contas com o diabo, como Fausto (personagem do alemão Goethe). Mas por que deixar de desfrutar do sol de hoje para pensar nas nuvens de amanhã?", questiona Jagger, de 64 anos.   O artista afirma que se sente "enferrujado em cada parada" entre as viagens e diz que continua se apresentando ao vivo por causa do público. Além disso, confessa que "o Mick Jagger no palco não é igual ao real". "Quando era jovem pensava sempre que estava perdendo tempo se não estivesse fazendo sexo. Com a música foi parecido. Conforme fui amadurecendo entendi que tudo tem seu lugar na vida", declarou.   Ele também afirmou que já não é o cantor rebelde do início de carreira, pois "quando se está há dez ou 15 anos no negócio, automaticamente se deixa de ser subversivo. Aqueles que continuam tentando acabam no nada".   Na entrevista, Mick Jagger, que recomenda praticar esporte a partir dos 30 anos "sem abusar, pois cansa", também desmistifica o uso de drogas, "cujos efeitos criativos são superestimados" e alerta que "o pior são os problemas judiciais". "Quando fomos presos em 1967 por porte de drogas não achamos nada divertido. De repente tivemos que dedicar nosso tempo à polícia e não à música", reconhece o roqueiro.   Ele também admite que quando a banda começou a carreira nunca pensou que duraria tanto: "Geralmente os artistas fazem sucesso por um ou dois anos e depois são esquecidos. Porém, tivemos êxito e por isto nunca houve motivos para deixá-lo".   Sobre sua famosa euforia no palco, Jagger revela não é comparável a um orgasmo, "é diferente". "Há momentos de pura felicidade, algo como uma experiência transcendental. Conversei com cantores de corais de igreja que reconhecem que há momentos em que não sabem onde estão. Às vezes acontece o mesmo comigo. É muito forte", encerrou o cantor.

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