Última noite do TIM Festival: animação mesmo com som ruim

A última noite do TIM Festival em SãoPaulo, no Tom Brasil Nações Unidas, que estava prevista para terinício às 18 horas, sofreu atraso de uma hora. O público,impaciente, se aglomerava no hall de entrada e gritava, em coro,"abre! abre!". De lá, dava para ouvir ainda os técnicos passandosom. O festival começou bem morno. A banda pernambucana Mombojófoi a primeira a se apresentar para um público que, sendobastante otimista, chegava a mil pessoas. A platéia, comcapacidade para 4 mil pessoas, só ficou lotada mesmo nos últimosshows da noite. O som, muito mal regulado, produziu microfonia diversasvezes e estourava nos ouvidos de forma ensurdecedora - mal seconseguia distinguir um instrumento de outro, a ponto de tornartudo um imbróglio sonoro. E o que é pior: nenhum técnico foicapaz de resolver o problema até as 2h20 da madrugada, horárioem que a última atração, os robóticos parisienses do Daft Punk,se despediram. A péssima qualidade do som prejudicou - e muito - aquelaque deveria ser uma das melhores apresentações do festival. Osnova-iorquinos do TV on the Radio já provaram ser capazes deoferecer momentos catárticos em shows pelo mundo, o queinfelizmente não ocorreu no Tom Brasil. A pista, a essa hora jábastante cheia, tinha um público disperso nos arredores, que nãose deixou levar nem pelos acordes frenéticos da guitarra de KypMalone, muito menos pelo vocal ardiloso de Tunde Adebimpe. Os problemas de som persistiram. "O que foi tudo isso?Não dava para entender o som que eles estavam fazendo! O somestá horrível", reclamou uma garota, tapando os ouvidos, no fimdo show do Thievery Corporation, que no pouco que se pôde ouvirbem, foi aprovado pelo público. Apesar dos pesares, o Thievery,um verdadeiro coletivo de músicos e vocalistas de diferentesgêneros e origens, repetiu em São Paulo a performance hipnóticaexibida na edição carioca do evento. O público, abarrotadoquando eles assumiram o palco, delirou com a combinação rítmicada banda, numa fusão perfeitamente palatável de músicaeletrônica, indiana, acid jazz, reggae e até alguma batucadabrasileira. Quem estava lá não conseguiu parar de dançar ao somde hits da trupe, como The Richest Man in Babylon e LebaneseBlond. Sob a batuta dos DJs e produtores Rob Garza e EricHilton, a catarse sonora do coletivo é impulsionada por umaformação interessante de cítara, metais, baixo, guitarra,teclado, percussão poderosa, além de cinco vocalistas, que serevezam nas apresentações. Há até uma brasileira entre eles, acantora Karina, nitidamente animada por estar entre os seus noTom Brasil. Festa pura! A platéia, que já estava na pilha pós-ThieveryCorporation, não teve tempo para refresco, pois logo naseqüência estava engatilhado o show do trio nova-iorquino YeahYeah Yeahs, liderado pela feroz Karen O. Quando a cantora subiuno palco, parecia que estava com o diabo no corpo. Como é depraxe. Teatral, original e inspiradamente atrevida, ela ficaligada em 220 volts o tempo todo. Não há como não ficar com osolhos grudados em seus movimentos beirando ao performático e comos ouvidos solícitos ao seu vozeirão poderoso. Karen O quebroutudo em hits como Rockers e Cheated Hearts, e deu um tempona pauleira em raros momentos, como em Maps. Quem foi lá para ver apenas o Daft Punk, a últimaatração, teve de aturar as longas pausas entre os shows. Amegaestrutura piramidal requerida para o duo parisiense jáestava em parte montada desde o início, mas pareceu que aprodução tinha ido buscá-la no Cairo. Do momento em que Karen O,do Yeah Yeah Yeahs, despediu-se - com seu último grito gutural,quebrando o microfone no chão - levou mais de uma hora para oinício do show do Daft Punk. Tanto sacrifício só poderia levar à redenção. Assim queas cortinas foram abertas, o público veio abaixo. Hits como Onemore Time e Around the World, permeados por um jogo de luzesensandecido que saía das faces da pirâmide (bregas, eles?),fizeram todo mundo cantar sem parar e resistir até o últimominuto do espetáculo, já na madrugada de segunda-feira. Deu paracurtir, mas poderia ter sido muito melhor.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.