Ugorski estréia no Brasil com Beethoven

Um jornal austríaco o chamou de excêntrico. Em Varsóvia, um crítico escreveu entusiasmado sobre as sonoridades pouco usuais que tirava do piano na interpretação de Liszt - seu som é peculiar, "não tem relação com nada nem ninguém; e, ainda assim, não tem nada de extravagante". Nascido na Sibéria, o pianista Anatol Ugorski já foi chamado de antivirtuose. Vive em Berlim, mas toca hoje e amanhã em São Paulo, no Teatro Cultura Artística com a Sinfônica Municipal, regência de Ira Levin. No programa, justamente um dos pilares daquele "grande repertório", o Concerto n.º 3 para Piano e Orquestra, uma das mais célebres obras de Beethoven. Afeito ao chamado grande repertório tradicional europeu, com uma queda especial pela música produzida no século 20 fora de seu país, foi perseguido na União Soviética, acusado de "atividades concertistas tendenciosas". Imigrou para o Ocidente na década de 90 e vive em Berlim. "Em minha primeira vez no Brasil achei interessante programar uma peça conhecida e popular", Ugorski explica, pouco depois da chegada ao País, na sexta-feira. Há muito a perguntar a Ugorski e a curiosidade em ouvi-lo falar de sua trajetória só não é maior que sua pouca disposição para relembrar de tudo por que passou. Fica-se, então, na questão da escolha de obras. Ele reconhece a identificação com o grande repertório; diz que, entre os autores do século 20, tem preferência por Olivier Messiaen, autor francês fundamental na literatura para piano no período. "Mas, veja, toco muito ao longo do ano, 70, 80 peças. E, neste universo, está Mozart, Chopin, Liszt, enfim, uma série de compositores." Os concertos de hoje e amanhã marcam a volta da Sinfônica Municipal ao Teatro Cultura Artística, onde ao longo de décadas de história apresentou-se com regularidade em concertos que marcaram a vida musical da cidade. E, em nova fase, a OSM programou duas importantes peças para mostrar um pouco do trabalho de reestruturação pelo qual passou. A primeira, as Variações Sinfônicas Op. 78, é uma homenagem ao centenário da morte de Dvorák. A segunda, Francesca da Rimini, uma das mais significativas peças de Tchaikovski. Orquestra Sinfônica Municipal Regência ira Levin. Solos do pianista Anatol Urgorski. Teatro Cultura ARtística - Sala Esther Mesquita (1.156 lugares),. Rua Nestor Pestana, 196, centro, 3256-0223. Segunda eterça, 21 horas. De R$ 10 a R$ 40.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.