U2 insiste em fórmula esgotada do pop

O pop rock do U2, sempre prenhe de boas intenções, soa velho em 2004. Seu problema não são as intenções, mas a sonoridade antiquada. "Por favor, deixe uma criança permanecer em algum lugar do seu coração", ele canta, em Original of the Species, uma das 11 faixas do seu novo CD, How to Dismantle an Atomic Bom (Universal). Em Miracle Drug, diz que a liberdade tem o perfume do cocuruto da cabeça de um bebê recém-nascido. Esse tom de discurso de ONG ressoa em quase todo o álbum à exceção de Vertigo. Vencedor de 14 prêmios Grammy, vendedor de 120 milhões de discos, o U2 manteve-se atento às mudanças enquanto foi possível. Até o disco Pop, flertou com a eletrônica, deu uma pulsão meio mântrica aos teclados do guitarrista Edge, assimilou conceitos da disco music. Mas, no último CD, All that You Can´t Leave Behind, já recuava um pouco rumo ao pop rock que os projetou de Dublin para o mundo, em 1978. How to Dismantle tem produtores reincidentes (Steve Lillywhite, Brian Eno, Chris Thomas) e alguns menos viciados (Flood, em City of Blinding Lights). O problema é a repetição de linhas de baixo, truques de guitarra, corinhos em cadeia. A ciência e o coração humano não conhecem limites, diz Bono. Conhecem, esse é o problema.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2004 | 21h22

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