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Tulipa Ruiz lota Teatro Castro Alves, em Salvador, na estreia de turnê

Cantora apresentou o seu segundo disco, 'Tudo Tanto', para 1.400 pessoas na capital baiana

Lauro Lisboa Garcia,

31 de agosto de 2012 | 17h00

SALVADOR - Pode ser ou é. Às vezes parece ópera, às vezes é pop-rock com cara de Lulu Santos. As duas características convivem em harmonia no novo álbum de Tulipa Ruiz, Tudo Tanto, lançado pelo programa Natura Musical. A estreia da turnê do segundo trabalho da cantora e compositora levou cerca de 1.400 fãs ao imenso Teatro Castro Alves, na região central de Salvador, muitos dos quais já conheciam as novas canções.

Como Criolo (que participa do disco), Tulipa teve uma espantosa e consagradora ascensão nos últimos dois anos e praticamente emendou uma turnê na outra. A de Efêmera terminou há duas semanas. Já nos últimos shows, o público pedia para ela cantar É, a primeira faixa liberada para download e que abre Tudo Tanto - o disco e o show.

No bis, com boa parte da plateia colada no palco, ela repetiu a canção acompanhada por coro forte. Já tem cara de hit. A proximidade maior com o público fez toda diferença da primeira para a segunda execução. A acústica do TCA é ótima, bem como a visibilidade, mas a imensidão do teatro faz com que shows de música popular se tornem frios. Mesmo com o teatro lotado, como estava anteontem, não é fácil preencher o espaço cênico e sonoro.

Porém, mesmo comportado nas poltronas, o público atento vibrou a cada canção e se soltou na hora do bis com A Ordem das Árvores e É. Os fãs também reclamaram da atordoante luz estroboscópica usada numa das canções. Como é normal em estreias, há ajustes como esse a serem feitos. A parte dos agradecimentos e apresentação da banda, com Tulipa arremedando apresentadores de televisão, é um tanto longa. Há também buracos entre uma música e outra, que num teatro grande como esse dão margem à dispersão.

Isso, porém, não compromete os méritos artísticos. Carismática, Tulipa conquista a plateia de imediato. Como no Recanto, de Gal Costa, as canções do novo álbum ganham outra dimensão e crescem ao vivo. As criativas projeções de Fred Siewerdt sobre tule preto são algo peculiar. Tulipa está cantando cada vez melhor, arriscando e se expondo mais, com a voz elevada às alturas nas canções mais fortes, especialmente na performance teatral do blues Víbora. Dois Cafés, que ela gravou em duo com Lulu Santos, se confirma como hit potencial.

Sob a bela luz do expert Paulinho Influxus e com uma ótima banda formada por Gustavo Ruiz e Luiz Chagas, respectivamente irmão e pai da cantora, que dividem as guitarras, Caio Lopes (bateria) e Marcio Arantes (baixo), além de um quarteto de cordas e sopros (Luiz Nascimento, Renato Rossi, Leandra Velasquez e Juliana Perdigão), Tulipa traz um acento camerístico à sonoridade pop do show. A boa qualidade técnica possibilitou ouvir com clareza detalhes dos belos arranjos.

Ao vivo, confirma-se a impressão que já vinha do disco: é um trabalho muito sedimentado na parceria com Gustavo. A relação coesa de Tulipa com a banda contribui absolutamente para o sucesso do show. Em certos momentos, as atenções se transferem ora para os guitarristas, ora para os sopros de Juliana, em seus cativantes solos.

Ousadia. As canções de Efêmera, como Sushi, Só Sei Dançar Com Você e Pedrinho ganham novo brilho repaginadas. Mais segura, tanto em estúdio como ao vivo, Tulipa solta a voz potente e impressiona. Ponto alto do show e do álbum, Víbora é a canção de maior impacto e a mais comentada de Tudo Tanto. Há quem a compare a Tetê Espíndola, pelo alcance dos agudos, e também a Gal Costa da fase mais roqueira e experimental do início dos anos 1970.

É claro que ela bebeu de ambas as fontes: do pop brasileiro tropicalista e da vanguarda paulistana. Seu pai era integrante da banda de Itamar Assumpção (1949-2003) e tocou com Lanny Gordin, gênio da guitarra que marcou o período mais ousado de Gal. Em entrevista antes do show, Tulipa reconheceu essas influências, porém diz que buscou na interpretação de Víbora algo meio Guns ‘N’ Roses. Uma amiga a comparou com Nina Hagen.

Tulipa acredita que o fenômeno que ela se tornou começou muito no boca a boca, a partir dos shows cada vez mais cheios no Grazie a Dio, casa noturna da Vila Madalena, plataforma de lançamento de vários artistas dessa geração. Ações na internet também contribuíram para o fenômeno crescer, com bom uso das ferramentas do MySpace, do Facebook e do Twitter, o que facilitou muito a aproximação com o público. "Acho que isso é um dos motivos por isso tudo acontecer. Mas até hoje sou um pouco surpreendida. Cheguei aqui morrendo de medo deste Castro Alves com 1.400 lugares", diz a cantora. Um dia antes do show, restavam apenas 40 ingressos, que foram vendidos no dia da estreia.

Tudo Tanto chega a São Paulo na sexta, 7, e no sábado, 8, da próxima semana, no Auditório Ibirapuera, segue para outras cidades brasileiras e para o exterior, até o Japão. Não é pouco para uma cantora "que está apenas começando", como ela mesma disse no fim do show de anteontem, agradecendo a presença do entusiasmado público baiano.

Brincando com a voz potente

1. Ponto alto do disco e do show, Víbora, em que Tulipa eleva a voz ao extremo agudo, é a canção mais comentada e aplaudida.

2. Com o tema de Brocal Dourado ao fundo, a cantora faz arremedos de Silvio Santos, Goulart de Andrade e Chacrinha ao apresentar a banda.

3. Explorando os vibratos, ela enrola o fio do microfone e bate com as mãos no pescoço ao brincar com os altos e baixos de sua voz potente.

 
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