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Tropkillaz comemora boa fase da música eletrônica no Lollapalooza

Dupla brasileira, responsável por ‘Vai Malandra’, de Anitta, se apresenta no festival e planeja álbum

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

25 Março 2018 | 06h00

A dupla eletrônica brasileira Tropkillaz colhe bons frutos em 2018. Com show no Lollapalooza Brasil neste domingo, 25, no mesmo palco de Wiz Khalifa, o duo lança novas músicas e planeja um álbum para ainda este ano. 

Formada por André Laudz e Zé Gonzales, a dupla comemora o primeiro show solo no festival - antes, haviam tocado apenas como convidados do francês DJ Snake. “A gente já fez Rock In Rio, Tomorrowland, vários fora do Brasil, faltava o Lolla”, confessa Gonzales ao Estado. Para o show, os dois prepararam uma “experiência”. “Mandamos modificar o palco, teremos quatro dançarinas, dois MCs, alguns convidados e estamos trabalhando os visuais”, explica. “O set é majoritariamente autoral, mesmo músicas de outros artistas nós customizamos.”

Com sete anos de atividade, o grupo é um encontro de gerações. Gonzalez, de 48 anos, começou na música eletrônica nos anos 90, tocando com o Planet Hemp. Laudz, de 25 anos, começou a mexer em casa e conheceu Zé pela internet. “Fazemos música nova, mas com a mesma mentalidade dos anos 90”, analisa Zé, o mais falador da dupla. “Não conheço nenhum grupo com essa diferença de gerações.”

Os dois aproveitam a boa fase da música eletrônica, que tem visto na última década DJs sendo elevados ao status de superstars, como Skrillex, Diplo e o brasileiro Alok. “Se a gente parar para olhar o top 50, boa parte é de música eletrônica”, analisa Gonzales. “É um reflexo da nova geração, que não só consome mas começa a produzir em casa. A tecnologia está fácil para todo mundo.” Laudz brinca com a nova fase. “Quando você dizia que era DJ, as pessoas perguntavam: ‘mas e você trabalha com o que?’.” 

Além de sucessos próprios, como Baby Baby, a dupla é produtora também de hits como Vai Malandra, de Anitta, a quem eles elogiam. “Anitta foi muito pioneira, porque foi a primeira artista que pegou uma batida de funk tradicional e misturou com rap e trap e lançou no mainstream, para o grande público”, acreditam. “Daqui a pouco a gente vai ver artistas americanos usando beats de funk, como está acontecendo agora com o reggaeton.” Os DJs elogiam ainda o fato de Anitta ter creditado a produção deles no título oficial da canção, algo cada vez mais comum com artistas do gênero. “O carimbo do DJ é importante, e é algo que você nunca veria antes.”

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O próprio Tropkillaz, em sua história, sempre buscou incorporar batidas de funk, o que nem sempre foi visto com bons olhos. “Sofremos bastante preconceito anos atrás por usar elementos de funk”, lembra Zé. “Somos da escola do hip-hop, mas sempre fomos abertos a todos os ritmos de música. O funk é um estilo original brasileiro e sempre bebemos dessa fonte.” A dupla acredita que, no Brasil, a aceitação do funk na música eletrônica veio quando o Jack Ü, grupo de Diplo e Skrillex, convidou Mc Bin Laden para cantar no Lollapalooza. “É uma barreira que o funk venceu.”

É com Diplo, inclusive, em seu outro grupo, Major Lazer, que o Tropkillaz lança sua próxima música, um reggaton misturado com funk, nos vocais de Mc Kevinho e do jamaicano Busy Signal. A canção se junta à já lançada Milk & Honey, com o cantor americano Aloe Blacc, e ainda mais duas inéditas. Ao final de tudo, contra indicações da própria gravadora, que prefere singles, a dupla pretende lançar um disco. “Queremos um álbum para encerrar um capítulo, iniciar outra história.”

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