Trio toca sambas, choros e jazz em São Paulo

Um novo trio de música popular está surgindo no cenário internacional. Amanhã e domingo, na Tom Brasil, os brasileiros João Bosco e Ivan Lins e o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba voltam a encontrar-se em cena após um show que foi considerado inesquecível no começo deste ano, em Ilhabela (SP).No litoral paulista, eles estiveram juntos durante o 1.º Encontro Internacional da MPB, em fevereiro - uma espécie de resposta de verão ao festival de inverno de Campos do Jordão, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura. Gostaram tanto da experiência que combinaram uma turnê. Neste mês, além de São Paulo e do Rio, eles vão para Brasília, Florianópolis e Porto Alegre. E, brevemente, deverão fazer nova turnê, desta feita pela América do Sul, passando por Montevidéu e Buenos Aires."Quando acontece uma fusão de idéias como essa, é aí que surge a idéia nova", diz João Bosco, que pensa até em sugerir a Rubalcaba a gravação de um disco do trio. Ele vê uma absoluta sintonia entre a música de Rubalcaba (mais erudita e presa à tradição do jazz) e a sua e de Ivan Lins. "Uma coisa está dentro da outra, não tem nada sobreposto ou ao lado", afirma.No repertório do show do trio, anuncia João Bosco, estão composições como Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu), Ronco da Cuíca, Linha de Passe e Incompatibilidade de Gênios (João Bosco) e Dinorah e Madalena (Ivan Lins). Outras que deverão estar presentes são Rio de Janeiro e Isso é Brasil (Ary Barroso) e Se Você Jurar (Ismael Silva, Francisco Alves, Nílton Bastos).Os músicos estarão acompanhados por suas bandas. Gonzalo Rubalcaba tem como parceiros Ignacio Barroa (bateria) e Carlos Henriquez (baixo). João Bosco está acompanhado de Nelson Faria (guitarra), Nico Assumpção (baixo), Marçal (percussão) e Kiko Freitas (bateria). Ivan Lins vem com Teo Lima (bateria), Nema Antunes (baixo) e Nelson Aires (teclado).O pianista cubano Gonzalo Rubalcaba é um dos grandes virtuoses da nova geração. Tem um estilo cool, quase seco, sem concessões ao popular e ao fácil. Já esteve várias vezes no Brasil. Em São Paulo, tocou até ao ar livre, na Praça da Paz, do Parque do Ibirapuera. Em 1993, participou, ao lado de Herbie Hancock, Shirley Horn e Gal Costa, de uma homenagem a Tom Jobim no Free Jazz Festival.Filho e neto de músicos, Rubalcaba nasceu em Havana, em 1963. Iniciou seus estudos musicais aos 8 anos. Em 1985, Dizzy Gillespie visitou Havana e ficou impressionado com o talento do jovem pianista. "Gonzalo tem formação erudita, mas informação muito grande sobre a bossa nova e grande exuberância rítmica", pondera João Bosco.Já Bosco é arauto de um estilo dionisíaco, percussivo de interpretação. "Eu vejo que, entre a música brasileira e a cubana há o viés da negritude, do africanismo que acabou criando diversas afinidades", pondera o cantor e compositor, autor de sucessos como Desenho de Giz, Memória da Pele, Quando o Amor Acontece, Corsário e Papel Machê, entre outras.Ivan Lins é um dos mais internacionalizados compositores brasileiros. Muito embora faça sucesso em fases esparsas no Brasil (com hits como Madalena, O Amor é o Meu País, Despertar Jamais, Aos Nossos Filhos), é disputado por qualquer clube jazzístico nova-iorquino.Ivan Lins, João Bosco e Gonzalo Rubalcaba: Amanhã, às 22 horas, e domingo, às 20 horas. De R$ 25,00 a R$ 50,00. Tom Brasil (Rua das Olimpíadas, 66); Informações pelo telefone: 3845-2326

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