Trio Keane investe, no 2.º CD, em baladas melancólicas

O trio britânico Keane pode entrar facilmente para o rol dos fãs do Coldplay e do U2 dos anos 80, quando o grupo de Bono era mais criativo e menos pretensioso. O primeiro álbum, Hopes and Fears, de 2004, já apontava um passo para essa conquista, vendendo mais de 5 milhões de exemplares no mundo - com a diferença de que eles não usavam guitarra. Canções bem desenhadas, arranjos de apelo pop, radiofônicos, mas sem abrir mão da qualidade, e uma melancolia de doer em melodias e letras inspiradas. Essas características se mantém no segundo e ainda melhor trabalho, Under the Iron Sea (Universal).Os dois anos que separam o primeiro do segundo CD foram inundados por uma avalanche de roqueiros sentimentalóides, adeptos da vertente do emo-rock, sem muita personalidade e conteúdo. O Keane pode - mas não deve - ser confundido com os mais comuns do gênero nem com chatices do nível de James Blunt (ou autor-intérprete da insuportável You´re Beautiful).O Keane vai mais fundo na melancolia, que não envolve apenas dores de amores. Em Is it Any Wonder?, por exemplo, o trio critica a Inglaterra por apoiar os Estados Unidos na guerra do Iraque. Está embutido aí outro componente que os liga ao Coldplay e ao U2: a sensação de sinceridade que transmitem no que cantam. E embora algumas baladas soem bastante pegajosas e derramadas (a canção citada acima, primeiro single do álbum, é exceção de acento mais roqueiro), as letras buriladas dão um equilíbrio.As canções de Under the Iron Sea são menos fáceis que as do álbum de estréia e tudo indica que, apesar dos atritos que quase pôs fim à banda, o vocalista Tom Chaplin , o pianista e baixista Tim Rice-Oxley (também o principal letrista da banda) e o baterista Richard Hughes têm um bom projeto a defender, mas que ainda pode melhorar.

Agencia Estado,

21 de julho de 2006 | 12h50

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