Trilha de "Sabor da Paixão" é balaio de clichê

Alguns produtos brasileiros agradam demais os estrangeiros. Morenas, bossa nova e belas praias são alguns deles. Um filme que abuse destes três elementos tem grandes chances de se destacar no cenário internacional. Fina Torres, diretora de Sabor da Paixão, sabe muito bem disso. Por isso, se valeu de todos os clichês acima citados.A trilha sonora, que chega às lojas junto ao filme e que já está há mais de um mês no mercado internacional, seria uma boa coletânea de clássicos da MPB, principalmente standards dos anos 50 e 60, se não fossem as releituras de Paulinho Moska. Quando ele canta Falsa Baiana, de Geraldo Pereira, recriada por João Gilberto, mostra que não tem muito a dizer. É inexpressivo, não contido, como pede a bossa. É ele o responsável por misturar interpretações de respeito a releituras e remixes dos clássicos da bossa nova e do samba carioca. É esse desencontro, que reproduz muitos altos e baixos, que acaba por colocar em xeque o resultado do disco. Passa a sensação de ser um balaio de canções. Por cima, Chão de Estrelas, interpretada por Baden Powell, É Doce Morrer no Mar, por Dori Caymmi e um pout-pourri de clássicos na voz de Maria Creusa. No embaralho, um remix drum´n bass de Falsa Baiana e uma versão de Xavier Cugat e sua Orquestra para Aquarela do Brasil. No final, chega perto de ser bom.

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