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Tributos ao Gigante que faz chover música e alegria

Músico será lembrado em show no Centro Histórico de Salvador, com Arrigo Barnabé, Jards Macalé e outros

Roger Marzochi, da Agência Estado,

25 Setembro 2009 | 16h40

A chuva começou fina. E parecia crescer depois dela passar pelo portão. Dentro da sala, ela sorriu, lembrando da falta que faz a alegria do Gigante Brazil. Emocionou-se. "Lembro dele todo dia", disse a artista plástica Renata Sandoval, viúva do percussionista, cantor e compositor que deixou a chuva dar ritmo à sua obra na emoção de sua arte, nas músicas que tocou com Marisa Monte, Itamar Assumpção, Celso Sim e Paulo Lepetit.

 

Veja também:

som Ouça trecho da canção inédita 'Vamos Logo Sem Paredes'

 

Terça-feira (29) faz um ano que Gigante Brazil, o Giga - como ainda é chamado pelos amigos - se foi. Ele será homenageado nesta sexta, 25, junto com Itamar Assumpção, no show Pelô de Vanguarda, no Centro Histórico de Salvador, com Arrigo Barnabé, Jards Macalé, Lanny Gordin, Mariella Santiago, Márcia Castro e Luiz Chagas, jornalista e guitarrista da banda de Itamar, Isca de Polícia, a qual também Gigante e Lepetit integravam. Anelis Assumpção, filha de Itamar e também cantora, compositora e percussionista, tem lembrado do Gigante nos últimos shows.

 

Lepetit, dono da gravadora Elo Music, fará o seu tributo ao parceiro, cujos últimos trabalhos foram Vamos Logo Sem Paredes, do cantor paulistano Celso Sim e Música Preta, Branca e Etc, na qual Giga deixou literalmente a "cozinha" dos instrumentos de base da música para cantar. Em Ensaboa, uma das músicas que do disco, já havia feito o backing para a voz de Marisa Monte, em Mais, de 1991.

 

Em Vamos Logo Sem Paredes duas músicas ficaram de fora do disco. Uma foi liberada para download no site de Celso Sim; outra, estava há um ano engavetada. "É uma música que não foi terminada, um groove muito legal, mas que ficou sem divulgar após a morte do Giga", disse Lepetit, em uma noite também de chuva, em São Paulo, ao autorizar a Agência Estado a divulgar no estadao.com.br o som ainda inédito.

 

Naquela segunda-feira de setembro do ano passado, Giga tinha acabado de participar da semana de lançamento do disco, e justo a música cujo refrão defendia o mundo sem barreiras, que inspirou o trabalho, nunca entrou no site. Lepetit usará a percussão do Giga nessa música para compor um disco de inéditas de Itamar, que será lançado pelo Sesi na chamada Caixa-Preta, que reunirá todos os discos do cantor.

 

Itamar gravou uma série de músicas que deveriam ter sido parte de um trabalho em conjunto com Naná Vasconcelos, que acabou não saindo. A voz e o violão do cantor que já estavam gravados foram digitalizados e receberão os arranjos de Lepetit, com participação de Luiz Chagas e, também, do trombonista Bocato. E não poderia faltar o Giga. "Eu era fã do Gigante desde quando ele tocava na banda Sindicato. Com seus dois metros de altura, dançava no palco, tocava tubadora e tinha uma voz blues incrível", lembrou Chagas.

 

Diretor de Humor

 

Gigante Brazil também é lembrado pelos amigos pelo alto astral, sorriso largo que se abriu em meio aos cabelos rastafari longos. Em seu último trabalho com Celso Sim, além de receber crédito pela grande variedade de instrumentos (e cacarecos) dos quais ele tirava sua percussão, dedicaram-lhe até o cargo de diretor de humor, na ficha técnica.

 

Dona Efigênia, a mãe do Giga, adorava esse pique que ele tinha em fazer música e, também, graça de tudo. "Ele vinha aqui, colocava uma toalha de prato na ponta da vassoura e me fazia de porta-bandeira", riu Efigênia, que criou os filhos na Mangueira, no Rio. "Desde quando ele começou a andar, não largava do pandeiro que o pai dele deu. A gente era pobre, mas ele teve boa infância. Aquelas perninhas finas alegrando a gente... Quase foi expulso da escola por fazer a criançada dançar enquanto tocava. Sorte que eu trabalhava lá!" contou ela, que tem outros dois filhos.

 

Ela sempre deu apoio ao Giga, comparecia aos shows, até um dia receber um presente: foi levada até o camarim da Marisa Monte, num show no Canecão. "Ela me pegou pelo braço, e gritou prá todo mundo: 'essa é a mãe do Gigante!' Disse até para quem tava lá assistindo. O motorista dela é que me levou para casa." No dia 21 de setembro do ano passado, ao completar 80 anos, Efigênia recebeu a última visita do Giga. "Quando ele veio aqui, estava uma chuva... tanta chuva. Parecia que a chuva estava prevendo", lamentou.

 

O que parece triste, nublado, Efigênia busca ver de outra forma, apesar da saudade doída. E, ao fazer som de tudo, não estaria ele, lá de cima, "derrubando a chuva", como queria Marisa Monte em Segue Seco? Ou, também, "choverando" nos jardins de seu bem, em Chove Chuva Choverando, de Celso Sim? Mas o Giga também tem uma versão sua sobre a chuva: "Vento de amor com a chuva, avião no ar indo a diferentes pontos, para novamente sonhar", canta em sua música Vento de Amor.

 

 

"Pelô de Vanguarda"

Praça Tereza Batista, centro histórico de Salvador, às 20 hs

sexta-feira (25) - Arrigo Barnabé, Jards Macalé, Mariella Santiago, Márcia Castro e Luiz Chagas

sábado (26) 20h - Lanny Gordin, Spirolizer e Vandex

Grátis

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