Marcos Arcoverde/Agência Estado
Marcos Arcoverde/Agência Estado

Tributo a um intérprete ‘inclassificável’, Ney Matogrosso

Cantor repetiu show da turnê passada para uma plateia que aplaudiu o reconhecimento de 30 anos de carreira

Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2009 | 16h03

O show era de dois anos atrás, mas a plateia não se importou. Era a noite de Ney Matogrosso receber o Prêmio Shell por suas três décadas de carreira, e o público de convidados, que enfrentou a chuva de verão para ir ao Vivo Rio, na noite de terça, aplaudiu muito e cantou o repertório de Inclassificáveis, seu penúltimo CD.

 

Ney não se alongou com discursos de agradecimento ao receber seu troféu. "Eu não sei o que fazer com prêmio. Eu fico meio estranho. Agradeço às pessoas que me indicaram. Confesso que não faço nada na minha vida pensando em prêmio. Mas, quando vem, é bom. Parece que o trabalho alcançou alguma coisa que a gente não sabe exatamente o que é", disse, ainda de calça jeans e casaco preto, para depois voltar já com o figurino cheio de brilhos e que se transmutaria em outros durante a noite.

 

Ele cantou praticamente todas as músicas desse álbum, começando com O Tempo não Para, passando por Mal Necessário, Ouça-me, Um Pouco de Calor, Mente Mente, Lema, Sea, Por que a Gente É Assim?, Existem Coisas na Vida, Ode aos Ratos, Inclassificáveis, Veja Bem Meu Bem, Coragem Coração, Divino Maravilhoso, até voltar a Cazuza/Roberto Frejat, Pro Dia Nascer Feliz.

 

Teve até quem quisesse um Ney mais do passado, e pedisse O Mundo É um Moinho (Cartola). Mas ele seguiu à risca o roteiro da turnê que viajou o País entre 2007 e 2009. Quem era fã não reclamou nem um pouco. Foi o caso das jornalistas Ana Beatriz Cruz e Raica Moisés, de 26 anos, que chegaram cedo e conseguiram ingresso na hora para assistir ao show. "Ele é um artista completo, cantor, ator, iluminador, então merece muito esse prêmio, que valoriza a performance do artista", comentou Ana, que foi apresentada ao trabalho do cantor sul-mato-grossense quando criança, por um tio gay que ouvia O Vira sem parar.

 

A escolha foi feita por um júri de sete pessoas, entre elas a cantora Roberta Sá, que já cantou com Ney. O prêmio, concedido antes a Tom Jobim, Dorival Caymmi, Tom Zé e outros compositores de diferentes gêneros da MPB, foi criado em 1981 e desde o ano passado também é dado a intérpretes. A primeira foi Maria Bethânia. Ney chamou a atriz Lucélia Santos, sua amiga, para ser a apresentadora. Aludindo a "inclassificáveis", a palavra, Lucélia deu a dica: "A melhor definição (para Ney) é mesmo sensorial."

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