Tribo de Jah faz show em SP

A Tribo de Jah é hoje a principal banda do reggae nacional, uma das poucas a conseguir reunir mais de 15 mil pessoas em shows pelo Brasil afora. Isso, sem apelos visuais, como integrantes "bonitinhos" ou aparições na TV. O grupo ainda tem o respeito de fãs e astros do reggae da "old school". Hoje, a Tribo se apresenta no Credicard Hall, embalada pelo disco de ouro do álbum Tributo a Bob Marley, e recebendo convidados como Mano Bantu e Rasta Joint.A presença dos convidados mostra outra preocupação da Tribo de Jah: dar espaço aos grupos ainda em começo de carreira, mesmo aqueles que não tenham características roots reggae (reggae de raiz). Tanto o Rasta Joint, de Minas Gerais, quanto Mano Bantu, do Maranhão, são bandas cuja sonoridade traz elementos regionais além do ritmo jamaicano.O show de hoje também é uma chance para os fãs que não puderam ver a Tribo em maio, no Anhembi. O grande festival armado com dezenas de bandas de reggae acabou em pancadaria com a polícia quando milhares de fãs ficaram de fora do evento no sambódromo. Foram colocados à venda 35 mil ingressos, mas estimativas deram conta de 50 mil pessoas tentando entrar."Houve ingressos falsos, mas não foram tantos. É que muita gente não tinha entradas, mas foi até o Anhembi na esperança de entrar. Teve excesso de fãs e policiais", diz Fauzi Beydoun, vocalista e líder da Tribo.Marley e cia. - No Credicard Hall seriam, a princípio, dois shows, mas a apresentação de ontem foi cancelada. A alegação foi de problemas técnicos, sem mais explicações. Para hoje, os fãs podem contar com sucessos do grupo como Reggae na Estrada e Reggae no Rio Grande. Sem contar as inúmeras versões para clássicos de Bob Marley que recheiam o álbum ao vivo lançado em maio. Vibrações Regueiras (Positive Vibrations), Um Só Amor (One Love) e Magia Natural (Natural Mystic) são algumas. A Tribo de Jah foi formada no início dos anos 90 como uma banda de baile maranhense. Seus integrantes são cegos, com exceção do paulistano Fauzi e do percussionista e vocalista Zé Orlando, que tem visão parcial. Completam a banda Netto (guitarra), Frazão (teclados), Achiles Rabelo (baixo) e João Rodrigues (bateria). Apesar da "mística" regueira, a Tribo de Jah é um grupo que foge aos estereótipos. Não há, por exemplo, exaltação da "ganja", a maconha. "Acho sim que ela interferiu no reggae. Deixou o ska mais viajandão, mais largado. Mas não penso que ela é fundamental para se compor ou tocar reggae", afirma Fauzi, que durante 12 anos foi usuário de maconha. "Parei por uma questão pessoal, estou em outra fase da vida e esse tipo de coisa não se encaixa mais comigo."Fauzi também é radialista, sua profissão antes de se firmar como vocalista, e coordena um programa de rádio veiculado em nove Estados. Agora, também acumula cargo de agitador cultural. Lançou uma revista sobre reggae (Reggae News, que passará a se chamar Central Reggae) e também criou um festival internacional do gênero que acontece em dezembro, no Maranhão, e terá gente como os veteranos The Gladiators e Ijah Man. "Se tudo der certo, vamos levá-lo também para as capitais do Sul", adianta. Tribo de Jah e convidados - Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955, tel 5643-2500). Hoje, às 21h30. Ingressos de R$ 25 (antecipado) a R$ 60. Vendas pela Ticketmaster 3191-0011.

Agencia Estado,

13 de setembro de 2001 | 14h31

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