Tribalistas tocam para poucos no verão de Paris

Lançado mundialmente pela EMI em novembro de 2002, o álbum Os Tribalistas (EMI) não previa apresentações ao vivo, como já avisavam seus autores, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. "Esse disco vai sair, mas não vai ter turnê; ele não vai ter divulgação de televisão; não vai ter nada dessas coisas que têm todos os discos, que ´devem´ ter", dizia Nelson Motta, anfitrião do release de lançamento. Mas o mundo roda e a lusitana passa. O disco virou um dos maiores fenômenos recentes da combalida indústria fonográfica e Os Tribalistas saiu de controle. Bateu 1 milhão de cópias no Brasil e 100 mil DVDs vendidos. Foi lançado em 46 países e vendeu mais de 100 mil cópias na Itália e em Portugal. Isso tudo impeliu os três tribalistas, velhos parceiros da MPB, a sair da moita. Eles estão em Paris, para entrevistas com a imprensa internacional e um showcase, no pequeno club Le Reservoir, no dia 17.Vão tocar apenas sete músicas no Le Reservoir, e negam que tenha sido a imperiosa força de um disco-avalanche que os levou a negar a premissa original, de "no show". "A gente não faz nada obrigado", disse ontem Marisa Monte, falando por telefone ao Estado, de Paris. "Estamos só curtindo a possibilidade de estarmos juntos", disse a cantora. Eles tocaram juntos uma música na entrega do Grammy latino, na semana passada, e acham que o projeto Tribalistas "estreitou e aprofundou os laços" do trio, que pretende continuar trabalhando junto, mas que isso não implica necessariamente um Tribalistas 2. "Não há o menor plano de se fazer outro disco", diz Arnaldo Antunes. "O sentido do disco é o sentido individual", diz Brown.De qualquer modo, a pressão para que continuem nessa trilha deverá ser grande. A gravadora adorou sua performance. "Acho que, em 20 anos da história da EMI internacional, é a primeira vez que um artista brasileiro adquire tal nível de prioridade", conjectura Marisa. Mesmo os protagonistas não têm idéia de todos os subprodutos que Os Tribalistas gerou. As rádios estão infestadas de remixes de músicas como Velha Infância e Já Sei Namorar. "Quando é algo que eu gosto, eu acho bom. Essa liberdade de as pessoas mexerem, de reprocessarem uma obra, é interessante. O problema é quando eu não gosto", diverte-se Arnaldo Antunes.

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