Tribalistas lançam disco ao vivo de show afetuoso realizado em SP

Tribalistas lançam disco ao vivo de show afetuoso realizado em SP

Gravação traz show de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown realizado no Allianz Parque; turnê chega ao fim no festival Lollapalooza

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 03h00

Se fosse para definir em uma palavra o show que os Tribalistas realizaram no Allianz Parque, em São Paulo, em agosto, bem que ela poderia ser ‘afetividade’. Diante de 45 mil pessoas – casa cheia –, Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown entregaram ao público uma apresentação irretocável e receberam de volta olhares (e ouvidos) atentos, aplausos calorosos e vozes em coro acompanhando grande parte das músicas. Reunindo o maior público da turnê dos Tribalistas, o show no Allianz ganhou registro ao vivo, que será lançado em disco nesta sexta, 15, nas plataformas digitais. A apresentação também poderá ser vista na TV: neste sábado, 16, às 20h, e no dia 8 de abril, às 21h, no canal Bis. No YouTube, estará disponível no sábado, 16, às 21h. 

Aliás, a gravação é digna de nota: o clima harmônico que dominou o estádio paulistano foi captado de forma fiel em imagem e som. “Minha lembrança desse show é de muita emoção. Já fiz shows para muita gente, lembro de fazer show na Virada (Cultural), com a rua lotada, um mar de gente, mesmo com a carreira solo, com os Titãs, mas esse show foi muito emocionante”, contou Arnaldo Antunes, ao Estado, por telefone, de São Paulo. Quem não assistiu ao show naquele dia poderá sentir esse clima no álbum e no vídeo Tribalistas ao Vivo

Em tempos de notícias trágicas, ver e ouvir esse projeto pode ser reconfortante. “Para a gente, foi importante ser um ano de afirmação em vez de negação, um ano positivo em vez de um ano negativo dentro desse contexto que a gente passou”, descreveu Marisa, sobre a turnê, por telefone, direto do Rio – enquanto Carlinhos Brown, de Salvador, na outra ponta da ligação telefônica, corroborava com a fala da amiga, e parceria de composição e de Tribalistas. “Para a gente, foi muito importante passar esse semestre afirmando em vez de dizer não: dizendo sim para o amor, sim para a amizade, sim para a arte, sim para a música, sim para a cultura, sim para a poesia, sim para o encontro pacífico. A gente não teve nenhum problema na turnê inteira. Só tivemos amor, alegria, lágrimas e emoção por onde passamos, não foi, Carlinhos?”, continuou ela. “O afeto é gerador de afetos, o público com o artista se espelha”, emendou Brown.

Essa onda amorosa que marcou não só o show em São Paulo, mas a turnê como um todo não chega a causar espanto. Afinal, os fãs dos Tribalistas tiveram de esperar 16 anos desde o lançamento do primeiro disco, Tribalistas, em 2002. Assim, o trio só encontrou plateias afetuosas por onde passou, inclusive em shows na Europa e nos Estados Unidos.

A vontade de cair na estrada já existia desde aquele primeiro álbum, mas só se tornou possível após o lançamento do segundo disco, também chamado Tribalistas, que eles anunciaram de surpresa em 2017. Com mais canções ‘tribalísticas’ na bagagem, os três estavam prontos para o desejado tour – com visual de encher os olhos e repertório repleto de sucessos. 

No set list, equilibraram canções dos dois discos, como as já clássicas Passe em Casa, Já Sei Namorar e Velha Infância, e as mais recentes Diáspora e Fora da Memória, além de incluir também composições que fizeram para outros trabalhos, como Não é Fácil. “Mesmo depois que o show já tinha estreado, fizemos algumas coisas de roteiro que a gente foi mexendo na estrada. É um show que, para a gente, foi ficando cada vez mais redondo, mais gostoso de fazer. Então, dá uma certa tristeza de a turnê estar no final”, lamenta Arnaldo – ele, Marisa e Brown voltam a se dedicar a seus próprios projetos, mas não descartam se reunir novamente como Tribalistas a qualquer momento. 

O tour, que estreou em Salvador em julho do ano passado, seguirá ainda para Montevidéu, no próximo dia 22; para Buenos Aires, no dia seguinte, 23; e vai se encerrar no festival Lollapalooza, no dia 5 de abril, em São Paulo. Quando o nome dos Tribalistas foi anunciado como uma das atrações principais do Lolla, houve quem reclamasse nas redes sociais. Eles chegaram a ver essa reação? “Acho que isso é normal em festival, porque é um público mais difuso. Mas, para a música brasileira, é muito importante. Fico feliz que a música brasileira tenha esse espaço dentro de um festival no Brasil”, comenta Marisa. “Acho que essa insegurança nós não temos, mas também respeitamos aqueles que têm suas opiniões voltadas a isso. Para quem não gosta, o festival tem várias opções”, completa Carlinhos Brown. 

Mas os haters não abalam o clima festivo dos Tribalistas. E Marisa Monte afirma, feliz: “Estamos esperando (no festival) o pessoal do coral com os braços e o coração abertos”. 


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