'Três Travestis' vira hit na web por conta de Ronaldo

Gravado por Zezé Motta em 1982, o frevo de Caetano Veloso sai do limbo e anda circulando pela internet

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

06 de maio de 2008 | 16h14

Parece feito de encomenda. Gravado em compacto por Zezé Motta em 1982, o obscuro frevo Três Travestis, de Caetano Veloso, saiu do limbo e anda circulando pela internet entre as inúmeras piadas sobre o envolvimento do boleiro Ronaldo com as três figuras que ele pode ter confundido com mulheres. Todo mundo conhece a história clássica. A carne é fraca, o glutão resolve variar o cardápio e ao dar uma passada na churrascaria do bas fond, com muito apetite e braseiro aceso, acaba comendo picanha por chuleta. Ops. Veja também:Ouça 'Três Travestis', de Caetano Veloso, interpretada por Zezé Motta  Ouça 'Mulato Bamba', de Noel Rosa, interpretado por Mário Reis   Esse clichê da desculpa esfarrapada - usado geralmente pelo "bofe" apanhado em flagrante - aparece em letras mais rasteiras de canções brasileiras quando o assunto é travesti. A mais amena, popular e favorável nesse sentido é Close. Erasmo Carlos a compôs com Roberto Carlos e gravou como tributo a Roberta Close, um dos travestis mais famosos do País pela feminilidade que atrai e confunde. "Não fosse o gogó e os pés/ A minha lente entrava na dela/ No conto da mulher nota dez/ Dá um close nela", diz o refrão, repetido à exaustão nos anos 80. Outra personagem notória foi a Geni que Chico Buarque criou para a peça Ópera do Malandro. No cinema o travesti foi interpretado por J.C. Violla. Sem tratar explicitamente do assunto, Eduardo Dusek dedicou A Loira do Carteado a Rogéria, antigo ícone das siliconadas. Outra figura célebre, Madame Satã, teria inspirado Noel Rosa a compor Mulato Bamba ("As morenas do lugar vivem a se lamentar/ Por saber que ele não quer / Se apaixonar por mulher"). Pérola Negra tem mão dupla. Luiz Melodia compôs a canção para uma namorada, mas, por sugestão do poeta Waly Salomão, ficou sendo também uma homenagem ao transsexual que atendia por esse codinome. Como Silvetty Montilla (Sou Travesti), Claudia Wonder é outro exemplar autêntico que canta a própria condição: "A mentira no meu corpo que você leva pra cama/A verdade em minha alma se transforma no meu drama/Sou assim de dia/Sou assim de noite." Drag Queen é uma das variantes dentre as personagens afrescalhadas de Rita Lee, bem como a Garbo de O Veado, de Gilberto Gil. Em Copacabana Blues, o próprio bairro carioca se transfigura em suas meninas ambíguas, transgressoras e incompreendidas. Aldir Blanc, Frejat, Jorge Mautner, Laura Finocchiaro, e o grupo Língua de Trapo, entre outros, já abordaram o fenômeno como parte integrante do cotidiano de Copacabana, Paris e outros submundos urbanos. Em Papai Não Gostou, Arrigo Barnabé narra um dos fatos mais comuns: o do garoto que rejeita o próprio sexo e, ao optar pelo extremo oposto, é discriminado pela família e pela sociedade, partindo para a marginalidade. 

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